terça-feira, 22 de junho de 2010

Egito diz ter encontrado pirâmide construída para antiga rainha

Egito diz ter encontrado pirâmide construída para antiga rainha. Construção foi localizada em areal ao sul da capital, Cairo, diz governo.
Ela guardaria os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti.
Da Reuters, em Saqqara.
Arqueólogos egípcios descobriram uma pirâmide construída no deserto e que pertenceria à mãe de um faraó no poder mais de 4.000 anos atrás, disse na terça-feira (11) o chefe do Departamento de Antiguidades do país.
A pirâmide, encontrada há cerca de dois meses em um areal localizado ao sul do Cairo, guardava provavelmente os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti, que governou de 2323 a.C. a 2291 a.C. e que fundou a Sexta Dinastia do Egito, afirmou Zahi Hawass.
Arqueólogos trabalham próximo à base da pirâmide recém-descoberta em Saqqara, no Egito, nesta terça-feira (11). (Foto: AP)
"A única rainha cuja pirâmide não havia sido encontrada é Sesheshet, e é por isso que tenho certeza de que essa pirâmide pertencia a ela", disse a autoridade. "Isso enriquecerá o nosso conhecimento a respeito do Antigo Reinado."
A Sexta Dinastia, uma época de conflitos dentro da família real do Egito e de erosão do poder centralizado, é considerada a última dinastia do Antigo Reinado, depois do qual a região passou por um período de falta de alimentos e de instabilidade social.
Arqueólogos haviam descoberto antes, perto dali, as pirâmides pertencentes a duas das mulheres do rei, mas nunca tinham encontrado uma tumba pertencente a Sesheshet.
A construção sem topo, de 5 metros de altura, chegava originalmente a 14 metros, com laterais de 22 metros de comprimento, afirmou Hawass.
A pirâmide, que seria a 118a a ser encontrada no Egito, segundo Hawass, havia sido escavada perto da pirâmide mais antiga do mundo, em Saqqara, uma área tumular para os antigos imperadores da região.
"Essa pode ser a mais completa pirâmide subsidiária a ser encontrada em Saqqara", afirmou Hawass.
O monumento seria originalmente recoberto por pedras calcárias trazidas de uma mina a céu aberto existente em Tura, nas cercanias de Saqqara, disse a autoridade.
Os arqueólogos pretendem entrar na câmara sepulcral da pirâmide dentro de duas semanas. A maior parte dos objetos presentes ali, no entanto, já deve ter sido roubada, afirmou Hawass.
Alguns artefatos, entre os quais uma estátua de madeira do antigo deus egípcio Anúbis e figuras funerárias de datas posteriores, indicam que o cemitério havia sido reutilizado na época romana, disse a autoridade.

terça-feira, 8 de junho de 2010

AS CONTRADIÇÕES DO SISTEMA CAPITALISTA

                                                                      As Contradições do Sistema Capitalista
                                                                    Parte I

  Karl Marx descreveu nas suas obras as principais contradições do sistema capitalista.

  Para perceber melhor o seu raciocínio, é necessário ter presente que o sistema capitalista assenta na teoria da exploração do trabalhador, e no seu conceito fundamental: a apropriação privada da Mais-Valia.

"(...) Segundo Marx, o lucro não se realiza por meio da troca de mercadorias, que se trocam geralmente por seu valor, mas sim em sua produção. Os trabalhadores não recebem o valor correspondente a seu trabalho, mas só o necessário para sua sobrevivência. Nascia assim o conceito da mais-valia, diferença entre o valor incorporado a um bem e a remuneração do trabalho que foi necessário para sua produção. Não é essa, porém, para Marx, a característica essencial do sistema capitalista, mas precisamente a apropriação privada dessa mais-valia. A partir dessas considerações, Marx elaborou sua crítica do capitalismo numa obra que transcendeu os limites da pura economia e se converteu numa reflexão geral sobre o homem, a sociedade e a história.(...)
   Portanto Marx afirmava que a força de trabalho era transformada em mercadoria, o valor de força de trabalho corresponde ao Socialmente necessário.
Tudo estaria bem, contudo o valor deste Socialmente Necessário é um problema. Na realidade o que o trabalhador recebe é o salário de Subsistência, que é o mínimo que assegura a manutenção e reprodução do trabalho.
   Mas apesar de receber um salário, o trabalhador acaba por criar um valor acrescentado durante o processo de produção, ou seja, fornece mais do que aquilo que custo, é esta diferença que Marx chama de Mais Valia.
   A Mais Valia não pode ser considerada um roubo, pois é apenas fruto da propriedade privada dos meios de produção.
   Mas, os Capitalistas e os proprietários, procuram aumentar os seus rendimentos diminuindo o rendimento dos trabalhadores, é, pois esta situação de exploração da Força de Trabalho pelo Capital que Marx mais critica.
   Marx critica a essência do Capitalismo, que reside precisamente na exploração da força de trabalho pelo Produtor Capitalista, e que segundo Marx, um dia haverá de levar à revolução social. "
   A contradição é clara, o trabalhador é na realidade a origem do valor. Mas sendo a sua origem, não é este que se apropria do valor criado, mas sim o Produtor Capitalista, que possui os meios de produção.
   Na segunda parte do artigo serão referidas as duas restantes contradições do sistema Capitalista. A tendência para a Diminuição da Taxa de Lucro e a de Concentração do Capital ( logo Monopolização ).
   Este artigo, bem como os seguintes sobre esta temática baseia-se, numa análise realizada aos conceitos marxistas. Todos os excertos foram daí retirados.
   As Contradições do Sistema Capitalista - Parte II

Tendência para a Diminuição da Taxa de Lucro
   Para Marx, a Taxa de Lucro era o raciocínio da Mais Valia - MV - sobre a soma do Capital (capital constante - C - mais capital variável - V- ).
   Se C/V for igualado a X. Temos que C=XV, logo a Taxa de Lucro = MV/v(1+x) = MV/v * 1/(1+x).
  Ora a tendência do Capitalista é a acumulação de Capital. Isto implica um aumento de X (Derivado da inovação tecnológica utiliza-se cada vez mais máquinas, logo, sobe o peso do Capital Constante).
  Ora aumentando X (Pois o valor de C aumentou), aplicando a fórmula acima, facilmente se vê que a taxa de lucro desce.
   Para Marx este movimento pode ser contrariado pela exploração da Força de Trabalho (aumentado dessa forma o V, o que implicará um aumento da Mais Valia (MV), logo um aumento da taxa de Lucro).
  Esta análise está fortemente condicionada pela análise do Valor que Marx faz. Para Marx apenas a Forçado Trabalho cria Valor, pois o restante capital (meios de produção) apenas o transmite.
   Segundo esta lógica, há de fato uma tendência para a baixa taxa de lucro.
   O que Marx não refere (e convém sempre salientar que toda a análise tem que se enquadrado no seu ambiente histórico) é que o Progresso Tecnológico reduz os custos dessa mesma Tecnologia (Ou seja, o V não aumenta, mas sim diminui).
   Também não levam em consideração na suas análises os efeitos da crescente produtividade. Ora mantendo a mesma força de trabalho, a mesma quantidade de trabalho gera mais valor, por via do crescimento da sua produtividade do trabalho (ou seja, a Mais Valia de cada Trabalhador também aumenta).
   Logo, não existe uma tendência para a baixa da taxa de lucro, mas sim uma tendência para a subida da taxa de lucro.
   O Raciocínio de Marx, caso não tomássemos em consideração os efeitos do crescimento da produtividade, está completamente certo. Contudo, o aumento da produtividade do trabalho, aumenta a Mais Valia de cada trabalhador, e o progresso tecnológico diminui os custos dos Meios de Produção.
   Temos, pois que a tendência do Sistema Capitalista é a subida da taxa de Lucro, por via de: - Aumento da Mais Valia (por causa da subida da produtividade de cada trabalhador), e diminuição dos custos do Capital Constante (por causa do progresso tecnológico). "
   Esta análise assume como erro de Marx os aspectos referentes à evolução tecnológica, nomeadamente o efeito de redução de V (Capital Variável). Esse raciocínio apesar de coerente, não contempla os custos associados à investigação e instalação das novas tecnologias. Nomeadamente que este processo de investigação é contínuo, de modo a que o produtor Capitalista tenha capacidade para se impor no mercado.
   O tempo necessário para a rentabilização das novas tecnologias (ultrapassando a perda realizada no investimento ) será cada vez mais difícil de atingir, porque devido ao ritmo do desenvolvimento tecnológico será necessário ao Produtor Capitalista realizar constantes investimentos, para suportar a concorrência.         Como em longo prazo a concentração de capital, é uma característica do sistema Capitalista, o investimento será cada vez maior, o que levará a que à redução do capital constante se deva subtrair o investimento efetuado, logo em longo prazo V, não aumenta nem diminui, mas permanecerá constante.
Este fato será necessariamente verdade, a existir em longo prazo uma tendência para a concentração do Capital (parte III).
   A contradição surge precisamente na produtividade. O desenvolvimento de novas tecnologias incrementa a produtividade do trabalho. Ou seja, o valor que o trabalhador produz será superior. Porém o aumento de rendimento do trabalhador não será proporcional ao aumento da riqueza que produz, levando o produtor Capitalista a expropriar-se de um valor continuamente superior.
   O sistema Capitalista em termos teóricos a tendência para a aumento da taxa de lucro é devida ao aumento da expropriação do valor produzido pelo trabalho. Uma contradição do sistema capitalista é resolvida com o recurso a outra sua contradição.

As Contradições do Sistema Capitalista - Parte III

Monopolização do Capital

“Visto que a tendência do Capitalista é a acumulação, há uma tendência para a baixa dos preços.
   Se os preços descem, existem empresas que não podem produzir (pois não conseguem gerar lucros com esse nível de preços), como não conseguem produzir, desaparecem.
   Com o desaparecimento das empresas não competitivas, a Indústria tende a concentrar-se nas poucas empresas que conseguem acompanhar o nível de preços, mantendo-se lucrativas.
   Para Marx, a Contradição reside no fato de se perder a essência do Capitalismo. Pois deixa de haver concorrência há medida que a concentração aumenta.
   Aqui Marx tem toda a razão. Os Progressos tecnológicos e científicos levam a que os custos de produção das empresas baixem consideravelmente. Baixando os custos de produção, as empresas podem aplicar preços de venda mais baixos.
   Aquelas empresam que não conseguem acompanhar o ritmo, por não terem tecnologia suficiente, e principalmente capital para acompanhas as inovações Tecnológicas, são obrigadas a cessar a sua atividade (pois o novo nível de preços, não lhes permite acompanhar as empresas mais modernas).
   A Tendência do Capitalismo é, pois a concentração, pois nem todos conseguem acompanhar o progresso tecnológico, e a descida dos preços de produção, sendo forçadas a abdicar da atividade. "
   Concentração conduz à Monopolização do Capital. Concentração dos meios de produção leva à concentração do poder de decisão. Concentração do poder de decisão...

terça-feira, 2 de março de 2010

A Religião na Grécia e Roma Antiga

A Religião na Grécia e Roma Antiga

Introdução

A religião na Grécia Antiga apresenta uma longa evolução e conseqüentemente uma notável multiplicidade de aspectos.

Em cada cidade-estado havia predileções por determinadas divindades com seu culto e seus rituais próprios.

Acrescentemos a tudo isso a famosa mitologia que tudo impregnava e sob seu manto amplo e variegado esconde explicações da natureza, preceitos, rituais, ensinamentos morais e até fatos políticos.

Já na religião da Roma Antiga, esta desempenhou na vida privada e pública dos romanos importantíssimo papel. Cícero afirmou que “pela religião, é que vencemos o universo” As cerimônias religiosas estavam presentes nos atos praticados no recinto do lar e nas solenidades oficiais. Nota-se que ainda pode ser observado o espírito prático dos romanos que imploravam aos deuses não para honrá-los, mas para conciliá-los.

Proposição: Pretendemos neste trabalho apresentar de forma resumida alguns dos aspectos da vida religiosa da Grécia, como da Roma Antiga, começando, porém pela Religião na Grécia Antiga.

I. A Religião na Grécia Antiga
1. Origens

Problema que tem dado margem a numerosas polêmicas é o das origens da religião Grega. Limitar-nos-emos a indicar os elementos básicos que, com certeza contribuíram para a formação do quadro religioso tal como o encontramos na época clássica. Ei-los:

1) Elementos religiosos indo-europeus importados para a península no decorrer das diferentes migrações.

2) Elementos pré-helênicos principalmente Creto-Micenianos.

3) Elementos orientais.

2. Os Intelectuais Gregos e a Religião

Não falaremos por enquanto das concepções religiosas que encontramos em Homero e Hesíodo. Quanto ao primeiro, lembremos por enquanto, a censura que lhe dirige Platão, no que tange à maneira de representar os deuses: “É necessário representar sempre Deus tal como é, qualquer que seja o gênero da poesia, épica, lírica ou trágica em que aparece o mesmo”.

Píndaro em uma de suas Odes, à Glória dos atletas vencedores exalta os nobres aspectos da religião olímpica e alude às idéias órficas do julgamento do espírito após a morte.

Heródoto revela possuir grande veneração pelas representações místicas vigentes em seu meio.

A obra de Êsquilo inspira-se em temas míticos e em ritos sagrados e tendem a implantar nos corações o respeito do divino.

Sófocles e Eurípedes ao tratarem das lutas psíquicas no conflito dos deveres contribuíram para o desenvolvimento de uma profundeza interior que abriria caminho a um espírito de religiosidade superior a o das crenças tradicionais.

Aristófanes soube conciliar através de suas peças a liberdade do poeta cômico e o respeito pela religião tradicional

Qual a atitude dos filósofos em face da religião? Do ponto de vista religioso podemos salientar como os mais importantes entre os pré-socráticos: Xenófanes, Parmênides e Empédocles. (Depois falaremos de Pitágoras).

O primeiro combateu o antropomorfismo

Em Parmênides sentimos que a procura da verdade se assemelha ou até se relaciona à experiência dos místicos,

Empédocles apresenta-nos uma rica personalidade em que se cruzam e se confundem os ideais do orfismo e do naturalismo.

O Pitagorismo inspirou-se em concepções órfica.

Sócrates, espírito essencialmente religioso, poder-se-ia aplicar plenamente a palavra do Apóstolo sobre o Deus desconhecido (Atos 17:23).

Em Platão impõe-se desde logo, uma tríplice distinção:

1) Crença de Platão na religião tradicional

2) Metafísica religiosa

3) Religião astral

De Aristóteles não sabemos que tenha sido particularmente religioso, porém, sua influência como filósofo foi enorme na futura estruturação de uma filosofia cristã que servisse de base racional para as verdades reveladas.

3. Visão Geral da Religião Grega

Homero. Na época em que foram escritos os poemas homéricos já haviam sido fixados em suas linhas gerais os traços essenciais das lendas concernentes aos deuses.

No culto Homérico encontram-se sacrifícios propiciatórios, se aceita a vida além túmulo. Não se encontra, porém na Ilíada e na Odisséia a religião primitiva dos helenos.

Hesíodo. Ao estudarmos a religião nas obras de Hesíodo, devem ter presente que as mesmas foram escritas por um camponês.

Do sec. VII ao Sec. V – podemos anotar as seguintes características:

1) Manutenção do Panteon Antropomorfismo fixado por Homero

2) A par da tolerância doutrinária no que tange a interpretações das lendas referentes às divindades.

3) Desenvolvimento dos cultos dos Heróis.

4) O sec. VI assiste ao desenvolvimento das religiões secretas somente acessíveis aos iniciados.

A Religião na Grécia Clássica - A Grécia Clássica nos oferece, sob o ponto de vista religioso, um panorama curioso e, de certo modo heterogêneo. Os relatos da mitologia tradicional continuam inspirando os artistas e os literários, mas não exercem influência profunda na vida religiosa do povo.

Época Helenista. - Os deuses tradicionais perdem o antigo prestígio e são substituídos pelo fatalismo.

4. Deuses e Heróis

Vamos enumerar alguns dos deuses e heróis da religião da época:

• Zeus (Júpiter) Era a principal divindade da religião tradicional

• Hera (Juno) Era a deusa nacional da Argólida;

• Atena (Minerva) Filha privilegiada de Júpiter também chamada Palas:

• Apolo (Phoebus Apolo) É o deus da luz, da música, da juventude, da expiação, e da Purificação, da medicina, da adivinhação, e das artes.

• Artemis (Diana) Uma das grandes deusas do mundo helênico;

• Hermes (Mercúrio) Era o mensageiro dos deuses

• Hefestos (Vulcano) Esposo infeliz de Afrodite

• Ares (Marte) deus da guerra

• Afrodite (Vênus) È uma divindade de origem oriental

• Deméter (Ceres) Deusas das terras amanhadas;

• Dionísio (Bacchus, Liber) deus do vinho



Aqui estão alguns dos muitos deuses da religião grega primitiva.



 Passemos agora de forma breve aos heróis:

Homero emprega esta designação para os homens que se distinguiam pela coragem, pela força e pelas façanhas notáveis.

Em Hesíodo essa palavra é reservada para os filhos de um deus e um mortal. O mais célebre dos heróis gregos era Heracles (Hércules).

5. Santuário e festas

Entre os grandes santuários que atraiam multidões do mundo helênico para celebração do culto de certas divindades podemos citar:

• Delos

• Delfos

• Olímpia

• Epidauro

• Elêusis

Entre as grandes festas da antiguidade Grega podemos distinguir as festas pan-helênicas e as festas de cada cidade em particular. Das festas particulares vamos mencionar as duas mais famosas de Atenas: As Panatenéias e as Dionísias.

5. O culto

Mais que um conjunto de crenças, a religião grega era um conjunto de práticas rituais.

O ato essencial do culto era o sacrifício, existiam também as orações e antes das orações a purificação, que consistia no lavar das mãos.

Para cada divindade havia uma determinada espécie e certo tipo de animal.

6. Vida além Túmulo

Podemos resumir este tema dizendo que na concepção da religião grega os bons após a morte passariam a viver nos Campos Elísios, enquanto que os maus seriam precipitados no Tártaro.



II. A Religião na Roma Antiga

No presente tópico pretendemos de forma concisa apresentar o desenvolvimento cronológico da religião romana através das grandes etapas da História (Realeza, República e Império) desde as obscuras e discutidas origens.

1. Religião Romana Anterior a República

a) Religião Doméstica – A religião doméstica foi um fator decisivo na união das famílias antigas. A religião fez com que a família formasse um corpo nesta vida e na outra. A família antiga é mais uma associação religiosa do que uma associação da natureza.

Cada Família Romana prestava um culto especial a determinadas divindades. Podemos chamar Penates, simplesmente, todos os deuses que recebiam o culto doméstico.

Pode ser incluído o culto aos mortos no estudo da religião doméstica.

b) Religião Oficial – Não é fácil traçar um quadro exato do panteão romano em épocas mais recuadas, pois as fontes não só não oferecem muitas vezes segurança, mas também se prestam a diferentes interpretações. Para um breve estudo dos deuses da religião romana primitiva, o mais seguro é simplesmente, enunciá-los, seguindo-se o calendário romano que registra os nomes de certo número de divindades às quais se prestava culto oficial nos inícios da época histórica. Vejamos alguns exemplos da mesma:

• Angerona - deusa dos mortos

• Carmenta – deusa das fontes

• Ceres – protegia a fecundidade

• Consus – preside a conservação dos cereais

• Janus – um dos maiores deuses da primitiva religião romana

• Juno – protetor das mulheres

• Júpiter – deus da claridade celeste, regedor dos fenômenos atmosféricos.

• Lares – os Gênios protetores da propriedade Rural.

Aqui estão alguns dos muitos deuses da religião romana primitiva.

No Culto que os romanos prestavam a suas divindades observamos o já tantas vezes sublinhado espírito prático que norteou a civilização de Roma. Eles tratavam seus deuses como se com ele tivesse estabelecido um contrato. Os Atos essenciais do culto eram a oração e o sacrifício. Não encontramos, contudo, em Roma uma classe sacerdotal, qualquer patrício podia desempenhar esta função.

2. A Religião Na Época Republicana

Não existe evidentemente, um quadro estático da religião romana. Da realeza ao Império, ela se transformou constante e profundamente.

Na realeza, sob o domínio etrusco, podemos assinalar importantes transformações: como a introdução de uma tríade de divindades supremas: Júpiter, Juno e Minerva.

Uma segunda transformação foi à introdução dos harúspices. Esses adivinhos pretendiam desvendar o futuro mediante o exame das entranhas das vítimas e especialmente, do fígado.

À medida que Roma ia entrando em contato com a civilização grega, novas divindades afluíam à capital, “naturalizavam-se” romanas.

Pelo início do Sec. III AC. Foi introduzido diretamente da Grécia o deus-médico Asclépios, que recebeu o nome Esculápios.

O velho e austero ritual da religião romana foi, paulatinamente, sofrendo a concorrência da suntuosidade litúrgica que acompanhava o culto das divindades helênicas.

No Sec. II A.C outro perigo ameaçou as velhas crenças romanas: A Filosofia Grega. Ceticismo e ateísmo são difundidos pela atraente dos recém chegados intelectuais gregos. Nos meios populares, entretanto, continuava a existir um sentimento religioso. ´É verdade que a religião oficial tendia a uma desagregação completa; a religião doméstica, porém, persistia bem viva nos meios rurais.

3. A Religião No Império

Augusto – A Época de Augusto, “o período mais próspero para a religião romana”, observou-se, com efeito durante seu principado, um reflorescer admirável da religião, promovido diretamente pelo soberano, que acumula em sua própria pessoa diversos sacerdócios, entre os quais o de Pontifex maximus (12 A.C).

Venus Genitrix, Marte, Apolo eram divindades às quais, por razões familiares e pessoais, Augusto rendia culto especial. A Apoteose do Imperador morto e a divinização do soberano vivo são dois aspectos de um novo culto introduzido em Roma na época imperial: o culto ao imperador.

Em Roma, 45 A.C. foram gravadas ao pé de uma estátua do ditador César a inscrição: “ao deus invicto”. Após o assassinato de César, a multidão reclamou a sua divinização, o senado e os comícios colocaram oficialmente o divus Julius entre os deuses da cidade.

A restauração religiosa ocorrida em Roma durante a época da república deu um novo impulso às crenças romanas tradicionais, mas não impediu que prosseguisse a infiltração cada vez mais acentuada, de correntes filosóficas e de cultos religiosos orientais. Entre essas correntes filosóficas salientamos duas, nas quais havia uma acentuada tendência mística: o Estoicismo e o Neopitagorismo. As religiões orientais exerciam maior fascinação e encontraram um campo fértil em Roma.

Vale apena ressaltar que duas religiões, principalmente, ficaram à margem desse sincretismo: o Judaísmo e o Cristianismo.

O progresso do Cristianismo foi gradativo, mas seguramente vencendo e liquidando as velhas religiões.

Em 392, Teodósio proibiu em todo o Império qualquer culto pagão, embora claro que as velhas crenças não desapareceram logo.

Conclusão

Ao concluir este trabalho queria de forma sintética fazer uma breve comparação da das duas religiões:

Em muitos aspectos, essas religiões se assemelhavam, já que possivelmente por se derivar da mesma fonte a cultura de ambos os povos, ambas as religiões eram terrenas e práticas, sem qualquer conteúdo espiritual ou ético. As relações entre os homens e os deuses eram externas e mecânicas, constituindo uma espécie de negócio ou contrato entre as duas partes, a fim de obter proveitos mútuos. As divindades das duas religiões tinham funções semelhantes: Júpiter correspondia mais ou menos, no seu caráter de deus dos céus, A Zeus; Minerva, como padroeira dos artesãos, a Atena; Vênus, a Afrodite, como deusa do amor; Netuno, a Posseidom, como deus do mar, e assim por diante. Tal como a grega, a religião romana não possuía dogmas, sacramentos ou qualquer crença em recompensas e punições numa vida futura.

Havia, contudo, diferenças significativas. A religião romana era nitidamente mais política e menos humanística em seus objetivos. Servia, não para glorificar o homem ou fazê-lo sentir-se a vontade neste mundo, mas sim para proteger o estado contra seus inimigos e para aumentar-lhe o poder e a prosperidade. Os deuses eram menos antropomórficos. Com efeito, somente em resultado das influências gregas e etruscas é que se apresentavam como divindades pessoais, tendo sido anteriormente adorado como “numes” ou espírito animístico. Os romanos jamais conceberam seus deuses em disputas entre si ou envolvendo-se com seres humanos, como acontecia com as divindades homéricas. Por fim, a religião romana continha um elemento muito mais forte de sacerdotalismo do que a grega. Os sacerdotes ou pontífices, como se chamavam, formavam uma classe organizada, um ramo do próprio governo. Não somente dirigiam as cerimônias sacrificiais, mas também eram depositários de um complicado conjunto de tradições sagradas e de leis que somente eles podiam interpretar. Deve ficar claro, no entanto, que tais pontífices, não eram sacerdotes, no sentido intermediário, entre os romanos e seus deuses; não perdoavam, não confessavam pecados nem administravam sacramentos.


Bibliografia:

BURNS, Edwards Mcnall, História da Civilização Ocidental: Do Homem da Caverna até a Bomba atômica – O Drama da Raça Humana. Editora Globo – Porto Alegre – Rio de Janeiro.

GIRDANI, Márcio Curtis, História da Grécia: Antiguidade Clássica I. Editora Vozes. LTDA. Petrópolis RJ. 1972.

GIRDANI, Mário Curtis, História de Roma: Antiguidade Clássica II. Editora Vozes. LTDA. Petrópolis RJ. 1981.

DIRLEY DOS SANTOS

SOLI DEO GLORY






sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

EXAMINANDO NOSSO ARREPENDIMENTO

Examinando Nosso Arrependimento

Thomas Watson

 
Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.

Se alguém diz que se arrependeu, desejo que examine-se a si mesmo, seriamente, por meio dos sete... efeitos do arrependimento delineados pelo apóstolo em 2 Coríntios 7.11.

1. Cuidado. A palavra grega significa uma diligência intensa ou um esquivar-se atento de todas as tentações ao pecado. O homem verdadeiramente arrependido foge do pecado como Moisés fugiu da serpente.

2. Defesa. A palavra grega é apologia. O sentido é este: embora tenhamos muito cuidado, podemos cair no pecado devido à força da tentação. Ora, nesse caso, o crente arrependido não deixa o pecado supurar em sua alma; antes, julga a si mesmo por causa de seu pecado. Derrama lágrimas perante o Senhor. Clama por misericórdia em nome de Cristo e não O deixa, enquanto não obtém o seu perdão. Assim, em sua consciência, ele é defendido da culpa e se torna capaz de criar uma apologia para si mesmo contra Satanás.

3. Indignação. Aquele que se arrepende levanta o seu espírito contra o pecado, assim como o sangue de alguém sobe quando ele vê um indivíduo a quem odeia mortalmente. A indignação significa ficar importunado no coração por causa do pecado. O penitente sente-se inquieto consigo mesmo. Davi chamou a si mesmo de “ignorante” e “irracional” (Sl 73.22). Agradamos mais a Deus quando arrazoamos com nossa alma por conta do pecado.

4. Temor. Um coração sensível é sempre um coração que teme. O penitente sentiu a amargura do pecado. Este vespa o ferrou, e agora, tendo esperança de que Deus está reconciliado, ele teme se aproximar novamente do pecado. A alma penitente está cheia de temor. Tem medo de perder o favor de Deus, que é melhor do que a vida, e receia que, por falta de diligência, fique aquém da salvação. A alma penitente teme que, depois de amolecido o seu coração, as águas do arrependimento sejam congeladas, e ela seja endurecida no pecado novamente. “Feliz o homem constante no temor de Deus” (Pv 28.14)... Uma pessoa que se arrependeu teme e não peca; uma pessoa que não tem a graça de Deus peca e não teme.

5. Desejo intenso. Assim como o bom tempero estimula o apetite, assim também as ervas amargas do arrependimento estimulam o desejo. O que o penitente deseja? Ele deseja mais poder contra o pecado, bem como ser livre deste. É verdade que ele está livre de Satanás; mas anda como um prisioneiro que escapou da prisão com algemas nas pernas. Ele não pode andar com liberdade e destreza nos caminhos de Deus. Deseja, portanto, que as algemas do pecado sejam removidas. Ele quer ser livre da corrupção. Clama nas mesmas palavras de Paulo: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Em resumo, ele deseja estar com Cristo, assim como tudo deseja estar em seu devido lugar.

6. Zelo. Desejo e zelo são colocados lado a lado a fim de mostrar que o verdadeiro desejo se manifesta em esforço zeloso. Oh! como o crente arrependido se estimula nas coisas pertinentes à salvação! Como se empenha para tomar por esforço o reino de Deus (Mt 11.12)! O zelo incita a busca pela glória. Ao se deparar com dificuldades, o zelo é encorajado pela oposição e sobrepuja o perigo. O zelo faz o crente arrependido persistir na tristeza santa mesmo diante de todos os desencorajamentos e oposições. O zelo desprende o crente de si mesmo e leva-o a buscar a glória de Deus. Paulo, antes de sua conversão, era enfurecido contra os santos (At 26.11). Depois da conversão, ele foi considerado louco por amor a Cristo: “As muitas letras te fazem delirar!” (At 26.24). Paulo tinha zelo e não delírio. O zelo causa fervor na vida espiritual, que é como fogo para o sacrifício (Rm 12.11). O zelo é um estímulo para o dever, assim como o temor é um freio para o pecado.

7. Vindita. Um crente verdadeiramente arrependido persegue os seus pecados com uma malignidade santa. Busca a morte dos pecados como Sansão queria vingar-se dos filisteus pelos seus dois olhos. O crente arrependido age com seus pecados da mesma maneira como os judeus agiram com Cristo. Ele lhes dá fel e vinagre para beberem. Crucifica as suas concupiscências (Gl 5.24). Um verdadeiro filho de Deus busca a ruína daqueles pecados que mais desonram a Deus... Com o pecado, Davi contaminou o seu leito; depois, pelo arrependimento, ele inundou seu leito com lágrimas. Os israelitas pecaram pela idolatria e, posteriormente, viram como desgraça os seus ídolos: “E terás por contaminados a prata que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas imagens de fundição” (Is 30.22)... As mulheres israelitas que haviam se vestido à moda da época e, por orgulho, tinham abusado do uso de seus espelhos ofereceram-nos depois, tanto por zelo como por vingança, para o serviço do tabernáculo de Deus (Êx 38.8). Com o mesmo sentimento, os mágicos... quando se arrependeram, trouxeram seus livros e, por vindita, queimaram-nos (At 19.19).

Estes são os benditos frutos e resultados do arrependimento. Se os acharmos em nossa alma, chegamos àquele arrependimento do qual nos arrependeremos (2 Co 7.10).

 
Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.

 
Copyright© Editora FIEL 2009.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ESPÍRITO CALVINISTA E O ESPÍRITO BRASILEIRO

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ESPÍRITO CALVINISTA E O ESPÍRITO BRASILEIRO

Por Antônio Carlos Costa

Há algum tempo chegou-me às mãos o livro – A Riqueza e a Pobreza das Nações, escrito por David S. Landes, professor emérito de história e economia política na Universidade de Harvard. Seu propósito ao escrever foi o de tentar responder a difícil e necessária questão: por que algumas nações são ricas e outras são pobres?
Landes, pôde perceber nas suas pesquisas, que há certa uniformidade no comportamento das nações pobres e das nações ricas. Esses destinos diferentes não podem ser atribuídos ao acaso. Existem razões para a riqueza e a pobreza dos povos. Estas explicações têm relação direta com o nível de assimilação por parte dessas mesmas nações de certas leis, que são conducentes ao desenvolvimento de um país. Ao mesmo tempo, leis que se não forem respeitadas, fazem com que países inteiros paguem um tributo social altíssimo.

Sendo assim, convém salientarmos o primeiro ponto: nessa busca por explicações com base na realidade dos fatos, o escritor da renomada universidade, encontrou um comportamento uniforme, conforme já mencionei, tanto nas nações que se tornaram ricas, quanto nas nações que se tornaram pobres. As causas são múltiplas - clima, geografia, papel do estado, educação, abertura intelectual, curiosidade, espírito empreendedor, capacidade de aperfeiçoar as coisas, iniciativa privada, entre outros tantos fatores mais. Entre eles, a religião. É este o ponto que gostaria de enfocar.

Nas suas análises comparativas entre os povos ricos e pobres, Landes encontrou diferenças em termos de prosperidade entre as próprias nações européias. Essas diferenças não fazem parte apenas dos contrastes existentes entre primeiro, segundo e terceiro mundo. Elas existem na Europa. Chamou sua atenção o fato do sul do continente europeu não ter alcançado o mesmo tipo de progresso que foi atingido pelo norte. Como explicar o atraso de Portugal e Espanha (agora minimizado pela inclusão de ambos na União Européia)? Nações que um dia foram as donas dos oceanos. Exploradoras de territórios imensos no mundo todo. Não se curvando a tese de que o clima representa a melhor explicação (já que há diferenças climáticas entre ambas as regiões, o norte mais frio do que o sul) – “Esses estereótipos contêm um grama de verdade e um quilo de pensamento indolente”, Landes acredita que a melhor solução para questão tem relação com a emergência do protestantismo, especialmente o de linha calvinista na Europa setentrional.
O escritor americano começa por mencionar a explicação dada pelo cientista social alemão Max Weber. Ao publicar em 1904-1905 – A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber expressou o seguinte ponto de vista, apresentado resumidamente por Landes: “o protestantismo – mais especificamente, suas ramificações calvinistas – promoveu a ascensão do capitalismo, ao definir e sancionar uma ética de comportamento cotidiano que conduzia ao sucesso nos negócios”. Para Landes, o calvinismo produziu um código secular de comportamento: trabalho perseverante, honestidade, seriedade, uso parcimonioso do dinheiro e do tempo (ambos concedidos por Deus) – “Todos esses valores ajudam os negócios e a acumulação de capital, mas Weber sublinhou que o bom calvinista não visa às riquezas... a tese de Weber é que o protestantismo produziu um novo tipo de homem de negócios, um diferente tipo de pessoa, que tinha por objetivo viver e trabalhar de um certo modo. Esse modo é que era importante e a riqueza seria, quando muito, um subproduto”.
Landes menciona como exemplo, as atitudes protestante e católica em relação aos jogos de azar no começo do período moderno: “Ambas o condenaram, mas os católicos condenaram-nos porque uma pessoa poderia perder (perderia) e nenhuma pessoa responsável comprometeria seu bem-estar e o de outros dessa maneira. Os protestantes, por outro lado, condenaram os jogos porque uma pessoa poderia ganhar, e isso seria ruim para o seu caráter”. Ele traz a memória de todos, o ponto de vista sobre a ética puritana do historiador social inglês R. H. Tawney no seu livro – Religião e Ascensão do Capitalismo: “Esta protegeu os comerciantes e fabricantes contra as pedras e flechas de desprezo das classes altas e seus códigos de bom-tom. Deu-lhes um sentimento de dignidade e virtude, um escudo num mundo de preconceitos anticomerciais. E assim, não cedendo a tentação do ócio aristocrático, os bons calvinistas mantiveram-se fiéis à sua tarefa de geração para geração, acumulando riqueza e experiência pelo caminho”.
Já o sociólogo Robert K. Merton, argumentou a favor da existência de um vínculo direto entre o protestantismo e o nascimento da ciência moderna. Landes lembra que não foi Merton o primeiro a defender essa tese – “No século XIX, Alphonse de Candolle, de uma família huguenote de Genebra, procedeu a um levantamento segundo o qual dos 92 membros estrangeiros eleitos para a Academia de Ciências francesa no período de 1666-1866, 71 eram protestantes, 16 católicos e os cinco restantes judeus ou de filiação religiosa indeterminada – isto numa população de 107 milhões de católicos e 68 milhões de protestantes fora da França. Uma contagem semelhante de membros estrangeiros da Royal Society de Londres em 1829 e 1869 mostrou igual número de católicos e protestantes num conjunto em que os católicos superavam numericamente os protestantes em mais de três para um”.
Para os que julgam as teses de Weber implausíveis ou inaceitáveis, Landes apela para os dados empíricos sacados da história: “... a documentação nos mostra que mercadores e fabricantes protestantes desempenharam um papel destacado no comércio, nos negócios bancários e na manufatura. Nos centros fabris (fabriques) da França e da Alemanha Ocidental, os protestantes eram tipicamente os empregadores, e os católicos os empregados. Na Suíça, os cantões protestantes eram os centros da indústria manufatureira de exportação (relógios, maquinaria, têxteis); os católicos eram primordialmente agrícolas. Na Inglaterra, que em fins do século XVI era preponderantemente protestante, os dissidentes (leia-se calvinistas) eram ativos e influentes, de um modo desproporcional, nas industrias fabris e nas forjas da nascente Revolução Industrial”.
Landes não se contenta apenas com a apresentação das provas empíricas. Ele parte para o nível teórico também: “A questão essencial consiste, com efeito, na criação de um novo tipo de homem – racional, metódico, diligente, produtivo. Essas virtudes, embora nada tivessem de novas, tampouco se podia dizer que fossem moeda corrente. O protestantismo generalizou-as entre os seus adeptos, que julgavam uns aos outros pela conformidade a esses padrões... características especiais dos protestantes refletem e conformam essa ligação... a ênfase sobre a instrução e a cultura, tanto para moças quanto para rapazes. Isso era um subproduto da leitura da Bíblia. Esperava-se que os bons protestantes lessem a Sagrada Escritura para si mesmos. (À guisa de contraste, os católicos foram catequizados mas não tinham que ler, e eram explicitamente desencorajados a ler a Bíblia.) O resultado: maior número de pessoas instruídas e um maior pool de candidatos para a escolaridade de níveis superiores; também maior garantia de continuidade de instrução de geração para geração. Mães instruídas fazem a diferença”.Foi impossível continuar a leitura do livro sem parar para pensar no Brasil. E temos que admitir – parar para pensar sobre o Brasil é parar para pensar sobre a história de um dos maiores desperdícios que a humanidade já viu. Desperdício de terra, beleza natural, circunstâncias históricas favoráveis e patrimônio humano. Sim, o Brasil é um desperdício. Desperdício de terra. Poluímos nossos rios, sujamos nossas praias, devastamos nossas florestas. Desperdício de beleza natural. Parte do que era belo se tornou feio ao ter contato com o povo brasileiro. Nossas cidades não estão à altura da formosura da natureza que nos cerca. São cidades sujas, sem graça, mal planejadas e cercadas de favelas. Desperdício de circunstâncias históricas favoráveis. Não passamos por nenhuma tragédia natural, nossa nação jamais soube o que significa ter que se erguer da devastação de uma guerra, nossos campos jamais se recusaram dar-nos o pão. Encontramos, contudo, pessoas vivendo na miséria no Brasil. A nação onde mais se mata, onde pune-se menos. A primeira em defasagem social. Não há país com tamanho fosso entre ricos e pobres. Desperdício de patrimônio humano. Somos milhões. Resultado de uma história da miscigenação racial das mais lindas da trajetória humana. Alemães, italianos, japoneses, portugueses, árabes, índios, africanos, poloneses, todos morando num mesmo país, falando uma mesma língua, casando uns com os outros e trazendo para nosso país toda sua riqueza genética e cultural. Mas, percebe-se que no contato com a nossa terra as coisas parecem se atrofiar. São milhões de brasileiros que recusam-se a estudar. Uma perda irreparável de neurônios. Domesticados por uma cultura que ensina a mentir, a ser impontual, a deixar para amanhã o que deve ser feito hoje, a trabalhar de modo desleixado, entre tantas mazelas mais que envergonham, ou deveriam envergonhar a todos nós.
Jogamos a culpa na genética (como se fôssemos uma sub-raça), na globalização (como se ela fosse responsável pelo desabamento do metrô de São Paulo e da marquise de um hotel em Copacabana), nos países desenvolvidos (quando vemos a Coréia do Sul e o Chile não precisando se fazer valer dessa espécie de racionalização), na colonização (como se os portugueses tivessem deixado de conduzir os rumos do país no mês passado), em karma (crença infeliz, que nos leva a dizer que nessa vida pagamos pelos erros praticados numa vida da qual não nos lembramos). Em suma, nos recusamos a encarar nossas deformidades. Julgamo-nos o povo gente boa, apesar de sermos os campeões mundiais em assassinato e disparidade social.
Não há como deixar de pensar na igreja. Os evangélicos. Povo ao qual pertenço e que Deus usou para levar-me a Cristo. Por que a igreja evangélica brasileira tem se demonstrado incapaz de salvar o brasileiro do Brasil? Qual a razão de vermos em nossas igrejas pessoas mais brasileiras do que cristãs? Onde estão os resultados históricos que costumam fazer parte da passagem do protestantismo por uma nação?
Quero dizer que tenho esperança. Eu não estou aqui para reclamar da vida. Não suporto a crítica que não vem acompanhada de resposta. Não é da essência da fé cristã fazer apresentação de problemas sem apresentar esperança. Minha esperança consiste no sonho de um dia ver o calvinismo - "o cristianismo que se achou" - entrar no sangue do povo evangélico brasileiro. Nesse dia a igreja haverá de ser salva do Brasil e o Brasil salvo de si mesmo.



Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra, Presidente do Rio de Paz e há dez anos apresenta o programa de televisão Palavra Plena.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FILOSOFIA MODERNA

Características Principais da Filosofia Moderna


Historicamente falando podemos dizer que o termo moderno antecede o período que começa no século XVII, e este termo dava a idéia de oposição ao antigo ou ao anterior, designando o atual, o presente, na verdade estabelecendo uma ruptura com a tradição.

Podemos dizer que a filosofia moderna surge em contraposição a Filosofia Medieval, por exemplo, se a Filosofia Medieval era escolástica, teologica, a moderna era humanista e antropocêntrica, isto é, em vez de pensar Deus, ou do ponto de vista de Deus, pensa-se o homem, ou do ponto de vista do homem.

Duas noções fundamentais estão ligadas ao moderno:

• A idéia de progresso, que faz com que o novo seja considerado o melhor;

• E a valorização do indivíduo, ou da subjetividade como lugar da certeza e da verdade.

Podemos dizer que quatro fatores históricos principais podem ser atribuídos a origem da Filosofia Moderna:

1. O humanismo Renascentista do Século XV;

2. A descoberta do Novo Mundo (1492);

3. A Reforma Protestante do Século XVI;

4. A Revolução Científica do Século XVII.

Além disso, outros fatores históricos contribuíram também para a formação do Pensamento Moderno, como o mercantilismo como surgimento de outro modelo econômico e o surgimento e a consolidação dos Estados Nacionais (Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Países Baixos). Ao Analisarmos esses fatores históricos e as suas peculiaridades poderemos perceber quais as características da Filosofia Moderna.

O renascentismo tem sido visto como o detentor de uma identidade própria e que se desenvolveu uma concepção específica de filosofia que rompe com a tradição medieval.

Talvez o maior traço do renascentismo seja o humanismo. O renascentismo foi buscar o lema do humanismo no filósofo grego sofista Protágoras. “O homem é a medida de todas as coisas”. Esse pensamento faz uma ruptura com o pensamento medieval, que sempre analisava as coisas do ponto de vista do sagrado, de Deus, uma visão extremamente teocêntrica, onde a teologia era o pensamento dominante, mas com o renascentismo este teocentrismo é quase todo deixado de lado valorizando o antropocentrismo.

O Humanismo renascentista retoma a herança Greco-Romana tendo temas Pagãos como centrais, afastando assim a temática religiosa

O humanismo rompe com a visão teocêntrica e com a concepção Filosófica Medieval, valorizando o interesse pelo homem

Durante o renascentismo o homem passa a ter dignidade e não mais a ser visto como o homem caído como no contexto Medieval.

Essa mentalidade humanista levantada pelo renascentismo influenciou a filosofia, fazendo surgir um novo pensamento, a Filosofia Moderna.

A descoberta do Novo Mundo por Colombo contribuiu decisivamente para o descrédito da Ciência Antiga. Revelou a falsidade da Geografia Antiga desde a questão da verdadeira dimensão da terra até o desconhecimento de novos territórios, assim também como a desmistificação daquelas narrativas antigas sobre regiões desconhecidas que em nada correspondem aquilo que foi encontrado.

Outra questão foi o questionamento da suposta superioridade da moral cristã que é levantada por pensadores como Montaigne.

Montaigne levanta a questão do ponto de vista do indígena mostrando que eles ensinam uma lição sobre nós mesmos, são como espelhos, apontando as fragilidades e expondo às inferioridades do homem Europeu

O imaginário Europeu busca assim uma explicação sobre a Natureza desses povos que são essencialmente ambivalentes.

A descoberta do Novo Mundo levantou uma filosofia Crítica a respeito da própria identidade do homem Europeu em contraponto aos povos descobertos nessas terras, podemos dizer que a descoberta da América deu início não somente a História Moderna como também a filosofia Moderna.

A Reforma Protestante foi também grande contribuidora para a elaboração da modernidade, por exemplo, quando defende a idéia de que a fé é suficiente para que o indivíduo compreenda a mensagem divina nas Escrituras não necessitando de intermediação da Igreja, de teólogos, nem de concílios, representa na verdade a defesa do individualismo contra as instituições tradicionais, contra o poder adquirido e todos são colocados sob suspeitas.

Podemos até mesmo colocar, sob um ponto de vista filosófico que a reforma aparece como representante da liberdade individual e da consciência como lugar da incerteza, contestando a autoridade institucional e o saber tradicional, posições que serão fundamentais no desenvolvimento do pensamento moderno, idéias essas que se encontram expressa no seu mais importante representante, Reneé Descates.

Em resumo podemos dizer que a reforma contribuiu para a Filosofia Moderna com a crítica à autoridade institucional; valorização da Interpretação da mensagem da Escritura, pelo individualismo; ênfase na fé como experiência individual, características essas marcantes na Filosofia Moderna.

A Revolução Científica moderna tem seu ponto de partida na Obra de Copérnico, quando ele defende que o Sol e não a Terra é o centro do Universo, esse fator representa um dos fatores mais marcante de ruptura, dando início a modernidade, exatamente porque ia de encontro com uma teoria estabelecida a vinte século, uma maneira na qual o homem Antigo e Medieval via a si mesmo e o seu mundo.

Na verdade o que se percebe é que o sistema heliocêntrico de Copérnico, rompe com o modelo Aristotélico-Ptolomaico, colocando o Sol como o centro do Universo e não a Terra.

Podemos dizer que duas grandes transformações levaram a revolução científica:

• O Heliocentrismo

• A valorização da observação e do método experimental.

A Revolução Científica Moderna rompe de fato com a Ciência Antiga.

Podemos dizer em síntese que a Revolução Científica rejeitou o modelo geocêntrico de cosmo substituindo pelo modelo heliocêntrico, deu à noção de espaço infinito, uma visão de natureza como possuindo uma “linguagem matemática”, ciência ativa x ciência contemplativa Medieval.

A Revolução científica pode ser considerada como uma grande realização do espírito crítico humano, talvez tenha sido o triunfo da racionalidade contra o obscurantismo medieval.

Conclusão

Podemos concluir dizendo que humanismo renascentista coloca o homem como centro de suas preocupações éticas e políticas. A Reforma Protestante valoriza o individualismo e o espírito crítico, assim como as discussões de questões religiosas e a revolução científica a realização do espírito crítico humano com suas formulações de hipóteses em busca de explicação científica. Tudo isso são características do pensamento Moderno em oposição a Filosofia Medieval.

DIRLEY DOS SANTOS

SOLI DEO GLORY

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PERSEVERANÇA DOS SANTOS

A Perseverança dos Santos
por

Bíblia de Estudo de Genebra

Romanos 8:30: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”.

Ao declarar-se a eterna segurança do povo de Deus, talvez seja mais claro falar de sua preservação que – como se costuma fazer – de sua perseverança. Perseverança significa contínuo apego a uma crença apesar do desencorajamento da oposição. A razão por que os crentes perseveram na fé e na obediência, contundo, não está na força de sua própria dedicação, mas em que Jesus Cristo, através do Espírito Santo, os preserva.

João nos diz que Jesus Cristo se comprometeu com o Pai (Jo 6.37-40) e diretamente com seu povo (Jo 10.28-29), no sentido de guardá-lo, de modo que esse povo nunca perecerá. Na sua oração por seus discípulos, depois de terminar a Última Ceia, Jesus pediu que aqueles que o Pai lhe tinha dado (Jo 17.2, 6, 9, 24) fossem preservados para a glória. Cristo continua a interceder por seu povo (Rm 8.34; Hb 7.25), e é inconcebível que sua oração em favor deles fique sem resposta.

Paulo celebra a presente e futura segurança dos santos no amor onipotente de Deus (Rm 8.31-39). Ele se regozija na certeza de que Deus completará a boa obra que começou na vida dos crentes (Fp 1.6; conforme 1Co 1.8-9; 1Ts 5.23-24, 2Ts 3.3; 2Tm 1.12; 4.18).

A Confissão de Westminster diz:

“Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas, com toda certeza, hão de perseverar nesse estado até o fim e estarão eternamente salvos” (XVII.1).

Os regenerados são salvos perseverando na fé e na vida cristã até o fim (Hb 3.6; 6.11; 10.35-39), como Deus os preserva. Esta doutrina não significa que todos aqueles que já professaram ser cristãos serão salvos. Os que tentam viver a vida cristã baseados em sua própria capacidade decairão (Mt 13.20-22). A falsa profissão de fé por parte de muitos que dizem a Deus “Senhor, Senhor” não será reconhecida (Mt 7.21-23). Os que buscam a santidade do coração e o amor ao próximo e, assim, mostram terem sido regenerados por Deus, adquirem o direito de se considerarem crentes seguros em Cristo. A crença na perseverança propriamente entendida não nos leva a uma vida descuidada e à presunção arrogante.

Os regenerados podem mostrar-se relapsos e cair em pecado. Quando isso ocorre, eles se opõe à sua nova natureza e o Espírito Santo os convence do seu pecado (conforme Jo 16.8) e os compele a arrepender-se e a serem restaurados à sua condição de justificados. Quando os crentes regenerados mostram o desejo humilde e grato de agradar a Deus, que os salvou, o reconhecimento de que Deus se comprometeu a guardá-los salvos para sempre aumenta esse desejo.


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Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1331.