domingo, 10 de abril de 2011

A CRISE DO ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL


Introdução
Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo capitalista produziu duas tendências importantes. Por um lado, verificamos a expansão dos mercados, especialmente o mercado mundial de mercadorias, sob hegemonia e a pressão do mercado norte-americano. Por outro lado, foi o período de crescimento do Estado, de forma diferenciada, na Europa e no restante do mundo. A isto, na Europa Ocidental e na América do Norte, damos o nome de Estado de bem-estar social.
Segundo Wood (2001:12), “o capitalismo é um sistema em que os bens e serviços, inclusive as necessidades mais básicas da vida, são produzidas para fins de troca lucrativa; em que até a capacidade humana de trabalho é uma mercadoria à venda no mercado; e em que todos os agentes econômicos dependem do mercado, os requisitos da competição e da maximização do lucro são as regras fundamentais da vida (...). Acima de tudo, é um sistema em que o grosso do trabalho da sociedade é feito por trabalhadores sem posses, obrigados a vender sua mão-de-obra por um salário, a fim de obter acesso aos meios de subsistência”.
O Estado de Bem Estar Social
Estado de Bem Estar Social (Welfare State) é um tipo de orrganização política e econômica que coloca o Estado (nação) como principal agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país, em parceria com sindicatos e empresas, em níveis diferentes. Vamos entender um pouco mais sobre ele?
Porém, em meados dos anos 1970, sobretudo nos anos de 1980, ocorreu uma mudança radical com relação a esse modelo de desenvolvimento capitalista, que segundo Therbom (1995), “está relacionada à transformação das relações entre mercados e as empresas e entre os Estados e os mercados” (Therbom 1995,43)
Porém em meados dos anos de 1970 (e, sobretudo em 1980) ocorreu uma mudança radical com relação a esse modelo de desenvolvimento capitalista. Essa mudança “está” relacionada a transformação das relações entre mercados e as empresas e entre os Estados e os mercados. Esse período passou por um processo de desindustrialização relativa, que em muitos países se produziu de forma vertiginosa. Também , por um processo de expansão enorme dos mercados financeiros, que são altamente competitivos e passam a interferir diretamente na relação mercado/Estado (cf. Therbom, 1999:43-4).
Sendo assim, o desaquecimento da produção associado ao crescimento do mercado financeiro, intensificou a dependência dos países periféricos, que passaram a necessitar da “confiança” desses mercados para implementar sua política.

Um desequilíbrio perigoso
Talvez você ainda não tenha percebido, mas o que ocorreu a partir da mudança de modelo foi um desequilíbrio nas relações entre Estados, entre mercado e Estado e, conseqüentemente, entre Estado e indivíduo. Vamos ver por outra perspectiva:
Embora a produção industrial tenha reduzido em 10% nos países centrais do capitalismo, o crescimento econômico, mesmo que em menor proporção, permaneceu. Inclusive, o comércio internacional de produtos industrializados apresentou um crescimento nos anos de 1980.
No século XX, os países do mundo capitalistas desenvolvidos se achavam, tomados como um todo, mais ricos e mais produtivos do que no início da década de 1970, e a economia global (da qual formavam o elemento central) estavam intensamente mais dinâmica (cf. Hobsbawn).
Esse não era o caso da África, da Ásia Ocidental e da América Latina, que se viram as voltas com o aumento da pobreza e da queda da produção. Da mesma forma os países socialistas da Europa, apesar de apresentarem um pequeno crescimento econômico nos anos de 1980, não resistiram ao processo de “desindustrialização            “ caracterizado pelas “novas formas de produção pelo desenvolvimento da economia de serviços e pelas novas formas de gerenciamento empresarial” (Therbon, 1999: 45)
Tudo isso proporcionou pobreza, desemprego e miséria. Mesmo nos países do mundo capitalista, as diferenças sociais se aprofundaram, “a produção agora dispensava visivelmente seres humanos, mais rapidamente do que a economia de mercado gerava novos empregos para eles (cf. Hobsbawn, 1997:404). Dessa forma, o desemprego não é ocasional, temporário, pelo contrário, ele é a expressão da nova organização econômica. Com isso, a presença de milhares de pessoas, pelas ruas, sem terem onde morar, compõe o cenário dos maiores centros empresariais do mundo.
A ascensão do neoliberalismo
Finalmente na década de 1990, não dava mais para esconder que o modelo de desenvolvimento capitalista da época estava em crise. Crise essa, que já se anunciava em grande parte do mundo, desde meados dos anos de 1970. Isso favoreceu a crítica dos economistas conservadores, neoliberais, que há tempos vinham combatendo o Estado de Bem-estar social.
EXPLICAÇÃO EXPANDIDA
Os neoliberais afirmavam que a economia e a política do Estado Keynesiano, baseada no pleno emprego, altos salários e nos direitos sociais, impediam o controle da inflação e o corte de custos, tanto no governo quanto nas empresas privadas. Para eles, só o livre mercado seria capaz de fomentar a distribuição da riqueza e da renda.
A ofensiva neoliberal
Ao se contrapor ao Estado de bem-estar social, segundo os preceitos do Consenso de Washington, o neoliberalismo defendia a privatização dos serviços públicos, como educação, saúde e previdência, de forma a aliviar o Estado e tornar esses serviços competitivos no mercado. Desta forma, direitos conquistados transformaram-se em mercadorias adquiríveis no mercado.
Ao longo das duas últimas décadas, a intensificação do processo de internacionalização das economias capitalistas, com ênfase nos mercados financeiros mundiais e a formação de grandes blocos econômicos, têm aumentado a pobreza e aprofundado as desigualdades no mundo capitalista globalizado.
Sendo assim, a crise do Estado de bem-estar social está relacionada à construção de um novo modelo de capitalismo que, no afã de recuperar a lucratividade, contrapõe direito a investimentos e acumulação de capitais, e é responsável pela condução da reforma do Estado que tem provocado cortes substanciais no orçamento das políticas sociais dos países periféricos em benefício dos países centrais.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA

Contexto em que Surge                                 
            Desde os primórdios da cultura ocidental se constata a interrogação sobre “o que é homem” percebemos que Sócrates foi um dos primeiros filósofos a estudar o homem. “Conhece-te a ti mesmo” – passou a ser a intenção. Para ele o homem é alguém que pode responder com racionalidade a uma indagação racional.
            Platão, seu esforçado aluno, afirmou que o homem é alma e que, com isso, é imortal. O corpo seria uma espécie de prisão para a alma. Este filósofo achava que o corpo e a alma não se entendem muito bem. Exemplo: o corpo pode ter sono, mas o espírito pode precisar que ambos fiquem acordados.
            A verdade é que já foi muito comum a definição do homem como sendo um animal racional. Muitos filósofos aceitaram esta definição: Agostinho, Descartes, Spinoza, Kant, Hegel e outros.
Mas hoje isso mudou.
            São muitas as definições baseadas em características do homem. Exemplos: para Sartre, o homem é um ser livre; para Gabriel Marcel, problemático; para Luckmann, religioso. E ainda há tantas definições... Descartes, Locke, Leibnitz achavam que quando um corpo humano se forma, Deus cria uma alma para ele. Outros, porém, como Marx e Comte duvidaram disso.
            Para estes últimos, a alma seria como um pensamento (que é o resultado das operações mentais). A alma então seria somente o resultado do próprio corpo, conseqüência da existência dele.
            Kant supunha apenas que a mente do homem não é competente para falar tanto a respeito da alma. Seria como, mais ou menos, uma formiga querer explicar o funcionamento de um computador
            O homem apresenta algumas peculiaridades que indicam como ele é, apresenta sinais de como anda vivendo e de quem ele é.
            Cada filósofo acrescentou um pedacinho a este estudo (Platão, Descartes, Hegel, Nietzsche, Sartre, Kant, Blondel, Rahner, Gabriel Marcel, Feuerbach, Agostinho, Descartes Comte, Nietzsche). Cada filósofo chama a nossa atenção para aspectos que ele considera importante, e geralmente para alguma característica humana, cada um desses contribuiu para o surgimento de uma Antropologia Filosófica.
            Entretanto a denominação “Antropologia Filosófica” só difundiu-se na nomenclatura filosófica contemporânea da primeira metade do século XX, por volta de 1920, sobretudo nos círculos ligados à influência de Max Sheller.
            A Antropologia Filosófica teve início quando o homem se sentiu jogado sobre si mesmo e (em oposição ao idealismo), precisamente sobre a concreticidade pessoal e histórica de sua vida que antecede e ultrapassa todo e qualquer conceito.
            A Antropologia Filosófica é uma tentativa de o homem se encontrar e de se entender. Não se trata de uma certeza, mas de uma possibilidade.

Contribuição que a Antropologia Filosófica oferece:

            A proposta central da antropologia filosófica é a natureza e o destino do homem, bem como o seu lugar no universo. A antropologia filosófica busca falar da essência do homem, embora não exista um consenso sobre o que vem a ser essa essência, embora se concorde que ela existe e é o que diferencia o ser humano dos demais seres do universo.
            O estudo da antropologia filosófica tenta achar as respostas para nossas dúvidas, como: O que distingue o ser humano dos demais seres vivos? Em que consiste a natureza humana? O homem é composto de corpo e alma (ou espírito) ou é de natureza puramente corpórea? O que é o homem? O problema mais importante da Antropologia filosófica surge ao perguntarmos: o que é o homem? O que constitui sua essência? O que o diferencia dos outros seres?
            Na concepção de Max Sheller e de seus seguidores, a antropologia Filosófica se propõe: a reformular a concepção clássica do homem tendo em vista do rápido e amplo desenvolvimento das ciências humanas e das ciências biológicas que operam uma revisão profunda no problema das relações do homem com a natureza.
            Henrique C. de Lima Vaz em seu livro “Antropologia Filosófica” diz que em função da problemática situação do homem em nossa cultura aponta para 3 tarefas fundamentais a ser cumpridas por uma a Antropologia Filosófica:
1.      Elaboração de uma idéia do Homem que leve em conta de um lado, os problema e termos presentes ao longo da tradição filosófica e, de outras, as contribuições e perspectiva abertas pelas recentes ciências do homem.
2.      Uma justificativa crítica dessa idéia, de modo que possa apresentar-se como fundamento da unidade dos múltiplos aspectos do fenômeno humano implicados na variedade das experiências com que o homem se exprime assim mesmo.
3.      Uma sistematização filosófica dessa idéia do homem de uma ontologia de ser humano capaz de responder ao problema clássico da essência “o que é o homem”.


BIBLIOGRAFIA
VAZ, Henrique Cláudio de Lima, Antropologia Filosófica. Volume I. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2004.
CATUNDA, Lúcio Packter e Michael, Antropologia Filosófica



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

FILOSOFIA CLÁSSICA

            A filosofia antiga foi marcada, em grande medida, pela investigação da natureza. Era a busca de explicações racionais para o Universo manifestado na procura de um princípio primordial para todas as coisas existentes. Segui-se a esse período uma nova fase filosófica, caracterizada pelo interesse no próprio homem e nas relações do homem com a sociedade.
            Os pré-socráticos diziam que a origem de todas as coisas (ARQUE) estava presente na natureza, diferente do discurso mítico que dizia que a origem de todas as coisas estava fora do mundo, isto é, o discurso mítico tentava explicar a origem de todas as coisas pelo transcendente, pelo divino, os pré-socráticos, diferentemente, tentavam explicar a origem de todas as coisas pelos elementos da natureza, chamado elemento primordial.
            Os pré-socráticos em vez de buscar as causas do mundo fora do mundo, como a filosofia mítica, vão buscar as causas, a origem do mundo no próprio mundo, na natureza, por isso eram também chamados naturalistas, exatamente em oposição ao discurso mítico. A filosofia dos pré-socráticos vai romper com o discurso mítico religioso. Os pré- socráticos vão explicar a natureza de forma racional (Discurso Filosófico) LOGOS – Discurso Racional. Os Filósofos pré-socráticos eram também chamados de físicos, exatamente porque estudava o físico, a natureza.
            Entretanto, chega um momento que a filosofia dos pré-socráticos começa a se desgastar, começa a se esgotar, por alguns motivos: Primeiro pelas próprias contradições existentes entre os filósofos pré-socráticos, na questão da origem de todas as coisas; segundo por causa do surgimento da democracia, surge agora a possibilidade de resolverem as diferenças e divergências existentes nessa sociedade em nome de um interesse comum, através do entendimento mútuo, e de leis iguais para todos; terceiro com o desenvolvimento da atividade comercial, com a consolidação das várias cidades-estados e com a organização da sociedade ateniense, trazendo enriquecimento e fazendo surgir uma classe mercantil e ainda a possibilidade do contato com outras culturas e filosofias orientais. A partir de então as coisas do homem começam a entrar em vigor; a ética, a política, a educação, a moral, o amor etc. Todos esses temas vão ser objeto da filosofia socrática.
Os Sofistas
            Estes não eram considerados filósofos por Sócrates, eram considerados enganadores - Sofisma – Têm aparência de verdade, mas não é – Sofistas - diz coisas que tem aparência de verdade, mas não é verdade. Foram considerados assim porque ao contrário de Sócrates, não acreditavam que a verdade pudesse existir, para Sócrates a verdade está dentro de nós (Inatista), o que falta para as pessoas é educação para conhecer a verdade.
            A postura dos sofistas, demonstrando pouca preocupação com a verdade e muito mais com o argumento, levou Platão a colocar na boca de Sócrates a afirmação de que "Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei". Vê-se, portanto que a preocupação dos sofistas é a argumentação e a de Sócrates/Platão é a verdade daquilo que se sabe ou do que se pode saber.
            O período antropológico que também é chamado o período Clássico da Filosofia recebe essa denominação por que nessa época floresceu não só a filosofia, como também as artes e o começo da organização de todo o saber. Principalmente pela atuação de Aristóteles e seus discípulos do Liceu (nome de sua escola, em homenagem ao deus Apolo Lício) floresceu o processo de aquisição e sistematização de vários saberes. A filosofia chegou ao seu apogeu com esses três pensadores que foram uma das maiores marcas da história do saber.
            Falemos um pouco sobre a filosofia destes três pensadores que realmente marcaram a história do saber.
Sócrates
            Tudo o que sabemos sobre Sócrates é somente através dos diálogos de Platão. Sócrates ensinava na Praça de Atenas, dialogando com seus discípulos e interlocutores. Usava a maiêutica e a ironia, como instrumentos metodológicos. Em virtude de sua postura filosófica foi chamado de "inseto", comparado com uma mosca: a mosca de Atenas. Um de seus principais discípulos foi Platão. A doutrina que Sócrates ensinava foi considerada espúria, foi acusado de corromper a juventude.
            Para Sócrates o conhecimento está dentro de nós, se as pessoas erram é porque lhes falta educação. Se conhecessem a verdade que está dentro delas não errariam.
            Sócrates desenvolveu um método para descobrir a verdade – A MAIÊUTICA – Utilizando-se de perguntas até chegar à verdade, com as respostas que eram dadas. Sócrates era inatista, acreditava que a verdade está dentro das pessoas.
            Para Sócrates o processo de Educação é extremamente importante, pois é através dela que se encontra a verdade.
            A Maiêutica Socrática,
            Maiêutica que significa literalmente arte de fazer o parto, uma analogia com o ofício de sua mãe que era parteira. Ele também se considerava um parteiro, mas das idéias. A maiêutica socrática opera inicialmente através de um questionamento de crenças habituais de um interlocutor, interrogando-o, provocando-o a dar respostas e a explicitar o conteúdo e o sentido dessas crenças. Em seguida, freqüentemente utilizando-se de ironia, problematiza essas crenças com que o interlocutor caia em contradição, perceba a insuficiência delas, sinta-se perplexo e reconheça a sua ignorância. É este o sentido da célebre fórmula socrática “só sei que nada sei” a idéia de que o reconhecimento da ignorância é o princípio da sabedoria. A partir daí, o indivíduo tem o caminho abeto para encontrar o verdadeiro conhecimento (epistem), afastando-se do domínio da opinião (doxa).
Platão
            Platão nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e abastados, de antiga e nobre prosápia. Temperamento artístico e dialético.
            Aos vinte anos, Platão travou relação com Sócrates - mais velho do que ele quarenta anos - e gozou por oito anos do ensinamento e da amizade do mestre. Quando discípulo de Sócrates e ainda depois, Platão estudou também os maiores pré-socráticos. Depois da morte do mestre, Platão retirou-se com outros socráticos para junto de Euclides, em Mégara. Daí deu início a suas viagens, e fez um vasto giro pelo mundo para se instruir (390-388). Visitou o Egito, de que admirou a veneranda antigüidade e estabilidade política; a Itália meridional, onde teve ocasião de travar relações com os pitagóricos (tal contato será fecundo para o desenvolvimento do seu pensamento); a Sicília, onde conheceu Dionísio o Antigo, tirano de Siracusa e travou amizade profunda com Dion, cunhado daquele. Caído, porém, na desgraça do tirano pela sua fraqueza, foi vendido como escravo. Libertado graças a um amigo, voltou a Atenas.
            Em Atenas, pelo ano de 387, Platão fundava a sua célebre escola, que, dos jardins de Academo, onde surgiu, tomou o nome famoso de Academia. Adquiriu, perto de Colona, povoado da Ática, uma herdade, onde levantou um templo às Musas, que se tornou propriedade coletiva da escola e foi por ela conservada durante quase um milênio, até o tempo do imperador Justiniano (529 d.C.)
            Quando Platão tem contato com os Pitagóricos e os Eleatas, então começa a se distanciar de Sócrates e então começa a formular a sua própria filosofia. Uma coisa interessante que percebemos é que o mundo ocidental é muito influenciado pelo platonismo.
            Segundo Platão todas as coisas são cópias, é o mundo sensível, existe outro mundo chamado mundo das idéias (das formas) onde está a verdade, o mundo sensível é somente cópia deste mundo das idéias. Poderíamos sintetizar o pensamento de Platão da seguinte forma: 
Mundo das Coisas                                                    Mundo das Idéias    
Cópias                                                                                 Inteligíveis
Sensível                                                                               Mundo de formas puras
Imperfeito                                                                            Perfeito
Ninguém tem a verdade                                                   Mundo da Verdade
Não podemos conhecer nada, 
temos uma idéia que                                                        Real
trazemos dentro de nós.

           



O Mundo das coisas é o que percebo pelos meus sentidos, entretanto para chegarmos ao mundo das formas somente através da razão.
            Para Platão só quem conhece o mundo das idéias é quem conhece a verdade. O filósofo pode conhecer a verdade, por isso que para Platão quem deveria governar o mundo deveria ser os filósofos.
Aristóteles
            Para Platão o que vale é o mundo das formas puras, a verdade está no mundo das idéias, no mundo inteligível, Aristóteles que foi discípulo de Platão vai ter outra opinião.
            Aristóteles vai trazer o mundo das idéias para dentro do sensível. Aristóteles vem com a idéia de que a realidade não é dupla conforme Platão afirmava com a sua teoria do mundo das coisas e o mundo das idéias, para Aristóteles não existe uma dualidade, o que existe são as coisas individuais.
            Ele percebe que aquelas coisas que Platão falou não procede, o que existe são as coisas, o dual são partes constitutivas. O mundo que nós vivemos é o mundo das formas e da matéria.
            A forma enforma a matéria e constitui o sínolo, a substância é formada de matéria e forma, o que existe é a coisa, isto é, se você quer conhecer a realidade, você tem que conhecer a coisa, o indivíduo, por isso Aristóteles vai valorizar o conhecimento sensível, pois o primeiro contato se dá através do sentido, até chegar o mais perfeito que o conhecimento teórico. Todas as coisas são compostas de matéria e forma.
Ato e Potência: É como Aristóteles explica o movimento, a transformação, as coisas se modificam algo que está em ato passa pela potência e se transforma em outro ato, aí o sínolo se transforma em outro sínolo.
            Tudo é composto de matéria e forma, quando acontece a transformação a forma se desconecta da matéria, entretanto quando se forma outra substância, se forma outro ato e há um novo composto de matéria e forma – A potência é a possibilidade de vir a ser.
            Por isso o ato é mais perfeito do que a potência, por que a potência é a possibilidade de vir a ser, mais ainda não é.
            Para Platão o conhecimento era inato, para Aristóteles o conhecimento se dá a partir das coisas individuais

 

RAZÃO E FÉ – IDADE MÉDIA

RAZÃO E FÉ – IDADE MÉDIA
           Platão foi à grande referência no período medieval. O cristianismo vai ser grandemente influenciado pelo platonismo e vai ser Agostinho de Hipona o grande propagador do platonismo, Aristóteles só voltará a ter importância a partir do século XIII, com São Tomás de Aquino.
            È importante entender que para o cristianismo ter sido propagado nos três primeiros séculos, foi necessário cooptar a língua e a filosofia grega, pois o mundo daquela época o que imperava era a cultura grega, pois embora o Império Romano houvesse conquistado o mundo e também os gregos, os gregos conquistaram o Império Romano culturalmente e cooptar a língua e a filosofia grega era de extrema importância para a propagação do cristianismo.
Como aconteceu este processo?
            Depois da diáspora (ano 70 dC), várias colônias judaicas se formaram por vários lugares do império Romano – Filon, o Judeu foi a primeiro a travar esse diálogo entre religião judaica e a cultura grega – helênica e o cristianismo seguiu o seu exemplo.
            A partir das comunidades judaicas começou esse processo, atingindo primeiro o povo mais simples, até alcançar os estratos superiores desta sociedade, como imperadores, por exemplo, isto no século IV – então o império se torna a religião oficial do império.
            O cristianismo de alguma forma correspondeu à necessidade daquela sociedade, algo da moral cristã se coadunou a moral romana helenizada, uma moral paternalista.
            O cristianismo ao utilizar de várias coisas dessa sociedade vai facilitar em muito a sua propagação, primeiro a língua e depois a filosofia – por exemplo, como explicar Jesus Deus e Homem, Trindade, Transubstanciação, Logos e outros termos difíceis? Foi necessário usar a filosofia grega para tornar a mensagem do cristianismo entendível àquela cultura. Foi necessário o cristianismo dialogar com o mundo helênico-romano absorvendo elementos desse mundo para que a mensagem do cristianismo fosse entendida e aceita. Portanto o cristianismo paulatinamente foi absorvendo e sendo absorvido pelo mundo helênico-romano.
            Os pais da Igreja foram os responsáveis por fazer esse “diálogo” com a filosofia grega, estes que foram formados nas academias dos filósofos e se converteram ao cristianismo, foram estes que compuseram os credos da igreja, eram do lado oriental. 
            Foi, porém, com Santo Agostinho que o cristianismo foi trazido para o ocidente, este é um marco no cristianismo. Agostinho é o homem de uma transição de época, o mundo medieval vai ser pautado no pensamento filosófico-teológico de Agostinho e o Platonismo será a filosofia predominante em Agostinho e no período medieval.
            Na filosofia medieval Razão e Fé vão colaborar reciprocamente, elas não vão se opor. Os filósofos medievais chegaram à conclusão que a razão pode chegar por outro caminho àquilo que a fé sabe. O objeto da fé é algo que jamais se saberia se não tivesse sido revelado por Deus, por exemplo, eu jamais poderia alcançar com minha razão, com a lógica humana. Ex. Deus se fez homem, como eu saberia isto se não fosse revelado? e outras coisa como imortalidade, trindade, hipostase etc. Então os cristãos medievais pensaram o seguinte: Deus revelou o objeto de fé, mas a razão humana pode alcançar por outro caminho sobre a verdade da fé, isto é , razão e fé não se opõem, colaboram entre si, entretanto a fé prepara a razão , guia, direciona e a razão colabora no entendimento da fé, essa idéia que vai valer durante toda a Idade Média – fé e razão não se opõem.
            Se Deus revelou a verdade, a razão só pode concluir juntamente com a fé, se a razão humana está correta ela só pode constatar conjuntamente com a Bíblia, já que a Bíblia é a revelação de Deus e contêm a verdade. A razão só tem um caminho, constatar a verdade, se Deus revela a verdade, a razão entende e deve se submeter a Ela.
            Há um esforço destes cristãos (medievais) de fazer se pensar que os filósofos gregos fizeram uma preparação para o cristianismo, sendo que o cristianismo seria a verdadeira filosofia. A filosofia grega teria pavimentado a chegada do cristianismo, entretanto o cristianismo seria a verdadeira filosofia, isto porque os filósofos gregos faltavam à fé, só em Jesus se tem a plenitude da revelação. A filosofia grega foi o chão onde o cristianismo se assentou, foi uma preparação. Cristianismo e filosofia grega fizeram uma amálgama, a filosofia foi um suporte, uma servidora do cristianismo. Durante toda a Idade Média isso vai valer.
            Os filósofos cristãos cristianizaram a filosofia grega, com isso a filosofia perde seu caráter crítico. A filosofia cristã vai selecionar aquilo que não se opõe as questões da fé, vão cristianizar Platão, Sócrates, Aristóteles etc.
            A partir da patrística fé e razão passam a contribuir e esse pensamento vai prevalecer no período medieval: Não basta apenas eu crer que Deus existe a razão tem que provar essa realidade.
            Para os medievais não bastava apenas crer, era necessário que a razão comprovasse, um argumento que vai tentar provar racionalmente a questão da existência de Deus vai ser o argumento Ontológico de Stº Anselmo (a Escolástica tem início com Santo Anselmo), que é uma prova racional de que Deus existe que consiste no conceito de Deus como um Ser Perfeito deriva-se a sua existência e que, portanto, alguém que entenda esse conceito não pode coerentemente duvidar da existência de Deus. Essa prova segue a linha do objetivo de Santo Anselmo de conciliar razão e fé. Aquilo que a fé nos ensina pode ser entendido pela razão e a filosofia ajuda a argumentar em favor disso e caracteriza bem o estilo da escolástica ao utilizar a filosofia – sua forma de argumentar, seus conceitos básicos – em defesa de questões religiosas e teológicas.
            A Escolástica vai entrar em crise com Guilherme de Ockhan, que vai ter uma posição nominalista. Guilherme de Ockhan vai dizer que não existe lógica entre fé e razão, a fé não tem nada a dizer a razão e nem a razão tem nada a dizer a fé, Isto porque em Deus não existe lógica, porque Deus antes de tudo é vontade absoluta. O Pensamento de Guilherme de Ockhan vai ser a fase embrionária, podemos dizer assim, do pensamento Moderno, que vai se opor diametralmente ao pensamento filosófico medieval.









quarta-feira, 17 de novembro de 2010

REVOLUÇÃO CULTURAL EM ERIC HOBSBAWN - ERA DOS EXTREMOS

           I. Reestruturação da família construindo diferentes formas de relacionamento.
“A melhor abordagem dessa revolução cultural é, portanto, através da família e da casa, isto é, através da estrutura de relações entre sexos e gerações” (p. 314.)
·         Legalização e aumento do divórcio e aceitação dos relacionamentos bissexuais;
            A instauração da crise familiar estava intimamente ligada à mudança de padrões públicos que governavam a conduta sexual. A formação de família que fugia às “regras” ficou cada vez mais freqüente. Entre as décadas de 1960 e 1970 houve uma liberalização tanto para os heterossexuais quanto para os homossexuais em diversos países. O divórcio tornou-se legal em 1970 e a venda de anticoncepcionais foi legalizada em 1971.
·        Presença de grande número de núcleos familiares constituídos de uma só pessoa ou de mulher, como sendo a responsável direta pela educação e criação dos filhos;
            Uma das mudanças que ocorreu na segunda metade de século XX foi nos núcleos básicos familiares, onde começaram a mudar com uma grande velocidade, havendo uma diminuição de casamentos formais, não havia mais tanto desejo de se ter filhos, encadeando assim o aumento de separações. As mudanças afetaram fortemente as famílias, tornando coisas antes inaceitáveis, compreendidas.
            Caracterizando assim a mudança das famílias tradicionais (com muitos membros), para um novo modo de família (constituídas por poucos membros, ou ate mesmo apenas um).
  • Os padrões morais, religiosos e consuetudinários que vigoravam até então passaram a ser obsoletos.
            Uma das grandes mudanças ocorridas foram às mudanças nos padrões morais e religiosos e consuetudinários, fatos antes proibidos agora se tornam permissíveis, através de Leis permissivas, sem dúvidas tornando mais fáceis atos até então proibidos.
II.                2º Culto à juventude com profunda mudança nas relações entre as gerações.
“Pois se divórcio, nascimentos ilegítimos e o aumento de famílias com só dos pais (isto é, esmagadoramente de mães solteiras) indicavam uma crise na relação entre os sexos, o aumento de uma cultura juvenil específica, e extraordinária forte, indicava uma profunda mudança na relação entre as gerações”. (p. 317).
            Número espantoso de jovens resultantes do baby boom dos anos pós 2ª Guerra Mundial;
            Juventude torna-se um mito a ser cultuado no íntimo de cada um;
            Grandes ídolos da música, do cinema e mesmo dos esportes foram consagrados por sua vitalidade juvenil e, muitos deles, encerram sua vida nesta própria juventude. Como: James Dean, Janis Joplin, Brian Jones, Bob Marley, Jimi Hendrix e outros.
            Viver o presente tornou-se a grande e possível meta de vida;
            Os papéis das gerações foram invertidos, o blue jeans, despojado e irreverente, que até então servia para os jovens distanciarem-se de seus pais e de todos os valores morais que contestavam, passou rapidamente aos corpos mais envelhecidos que almejavam preservar os “verdes anos”;
            Uma cultura jovem global foi reafirmada constantemente devido aos interesses do mercado capitalista que, apossando-se dos símbolos de juventude e consumo deste grupo, reformulou suas estratégias de venda e produção.
            A juventude tornou-se o maior produto a ser consumido.
            A juventude tornou-se um agente social independente, foi responsável pelo crescimento da indústria fonográfica e da radicalização política na década de 1960.
            Os jovens começaram a dominar as economias de mercado, por representarem agora uma grande massa de poder de compra. Esse poder de compra se consolidou quando houve um extraordinário internacionalismo entre jovens de todo mundo. O rock foi um exemplo da “marca” da juventude moderna. “Letras de rock em inglês muitas vezes nem eram traduzidas. Isso refletia a esmagadora hegemonia cultural dos EUA na cultura popular e nos estilos de vida…” (Hobsbawn, p.320). O público feminino foi o mercado que faltava nas indústrias da moda. As mulheres, relativamente bem pagas e não comprometidas com contas, começaram a gastar com roupas, sapatos e acessórios, enquanto os homens em cerveja e cigarro. “A cultura jovem tornou-se a matriz da revolução cultural no sentido mais amplo de uma revolução nos modos e costumes…” (Hobsbawn, p.324). Na década de 1950 os jovens de classe média e alta começaram a aceitar a música e as roupas das classes mais baixas, por vezes tornando-as modelo
III.  Formulação de Uma Nova Economia,
“A Cultura jovem tornou-se a matriz da revolução cultural no sentido mais amplo de uma revolução nos modos e costumes, nos meios de gozar o lazer e nas artes comerciais, que formavam cada vez mais a atmosfera respirada por homens e mulheres urbanos” (p. 323)
“A novidade da década de 1950 foi que os jovens das classes altas e médias, pelo menos no mundo anglo-saxônico, que cada vez mais dava a tônica global, começaram a aceitar a música, as roupas e até a linguagem das classes baixas urbanas, ou que tomavam por tais, como seu modelo” (p. 324)
            Houve uma grande agitação por parte dos jovens, com o capitalismo firmado na época, os empregos tiveram um grande alto e com isso os jovens foram sendo empregados e conseqüentemente tendo o poder de compra na mão e assim conseguindo a liberdade financeira.
            Revolução cultural então pode ser entendida como o “triunfo” do individuo sobre a sociedade. Nela o jovem foi o grande pilar, rompendo com idéias passadas, formando um novo modo de pensar e agir, mudando estilos, o que escutar e vestir. Nessa revolução prevaleceu às vantagens históricas do capitalismo e a dificuldade de viver sem ele.
           
IV.  Exacerbação do individual sobre o social
“A revolução cultural de fins do século XX pode assim ser mais bem entendida como o triunfo do indivíduo sobre a sociedade, ou melhor, o rompimento dos fios que antes ligavam os serem humanos em texturas sociais.” (p. 328).
“As instituições mais severamente solapadas pelo novo individualismo moral foram à família tradicional e as igrejas organizadas tradicionalmente no Ocidente, que desabaram de uma forma impressionante no último terço do século.” (p. 330)

            O que percebemos é que para Hobsbawn a revolução cultural estabeleceu ‘o triunfo do indivíduo sobre a sociedade’ ou ‘o rompimento dos fios que antes ligavam os seres humanos a texturas sociais’, pois, essas texturas consistiam em configurar modelos de comportamento, sempre de acordo com as expectativas das pessoas, umas com as outras. (p.328). Instituições como igreja e família tradicionais foram as que mais ‘solaparam’ com este ‘novo individualismo moral’. Queda de vocações para o sacerdócio e crises de autoridade moral e material da igreja sobre os fiéis também reiteram o fato de que novas regras de vida e de moralidade foram implantadas com a ‘revolução cultural’. O fato é que a ‘sociedade industrial moderna, até meados do século XX, dependera de uma simbiose da velha comunidade e velhos valores com a nova sociedade’ (p.333).
            As importantes considerações destacadas por Hobsbawm, a partir de meados do século XX, representam uma ‘simbiose’ entre velhos e novos processos configurados no âmbito familiar. Todos os elementos delineados na relação família-mulher e na ‘revolução cultural’, especificamente relacionados com a família, fazem evidenciar as regularidades das estratégias familiares. É mais plausível considerar que estes fatos históricos correlacionados com a família são ‘disposições duráveis’, inseridas nestes ciclos de vida dos seus agentes. Esses ciclos devem ser interpretados, levando-se em consideração situações concretas de tempo e de lugar que tendem a ser produzidas e reproduzidas nas gerações futuras.
           

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CONDIÇÕES HISTÓRICAS QUE POSSIBILITARAM O SURGIMENTO DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO

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·        A análise da vida social data do século XVIII deve ser considerada como o produto intelectual mais importante das transformações econômicas, políticas sociais e culturais em curso desde o Renascimento e que se cristalizaram no Ocidente com a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, marcos do surgimento do mundo moderno, isto é, da consolidação da ordem capitalista.
A.     A Revolução Industrial
·        A invenção da máquina a vapor na Inglaterra de 1750 significou o início de uma revolução nas técnicas de produção, o que possibilitou a mecanização do processo de trabalho em muitos ramos da atividade econômica, já na primeira metade do século XIX, tendo significado também uma revolução na organização da produção que, a partir de então, passou a ser realizada no interior de empresas com caráter permanente e racional.
·        Ao propiciar o aumento da produtividade do trabalho, a redução dos custos de produção e, como decorrência, o barateamento das mercadorias, a Revolução Industrial permitia vislumbrar o nascimento de uma sociedade de abundância e mais justa, graças às possibilidades econômicas de uma distribuição mais igualitária da renda.
·        A Revolução Industrial gerou problemas que se alastraram por toda a Europa.
Ø  Em primeiro lugar provocou o êxodo rural de enormes contingentes de trabalhadores com perspectiva de melhoria de condição de vida
Ø  A conseqüência foi o desenvolvimento acelerado da urbanização não planejada, cujo resultado foi, péssimas condições habitacionais dos trabalhadores, na imundície das cidades industrializadas, falta de fornecimento de água, epidemias das mais variadas dizimando milhares de pessoas. Vale à pena citarmos o mais renomado historiador do século XX Eric Hobsbawm:

Só depois de 1848, quando as novas nascidas cós cortiços começaram a matar também os ricos, e as massas desesperadas que aí cresciam tinham assustados os poderosos com a revolução social, foram tomadas providências para um aperfeiçoamento e uma reconstrução urbana sistemática.

Ø  Em segundo lugar, os baixos salários e o desemprego de milhares de trabalhadores, pois (até a década de 1840)
Ø  A criminalidade do e a violência urbana, o alcoolismo, a prostituição, o suicídio constituíram o quadro de deterioração da vida social, aprofundado pela enorme desigualdade social.
Ø  Em terceiro lugar, o rígido controle e disciplina impostos pelos patrões que tornavam infernal a vida dos trabalhadores das fábricas, submetidos a jornadas de trabalho de 16 horas e a todo tipo de castigos e muitas.
            A Revolução Industrial não foi, portanto, apenas uma revolução econômica, foi também, responsável pelo aparecimento de novos problemas humanos e sociais além de ter dado fim ao antigo regime, como novos personagens no cenário social.
            Por essa razão, a Revolução Industrial não pode se lembrada apenas como revolução econômica, mas também como uma revolução da estrutura social que precipitou as transformações políticas, jurídicas e ideológicas consumadas pela a revolução Francesa.
B.     A Revolução Francesa
·        A revolução Francesa de 1789 foi o acontecimento de maior repercussão no Ocidente por ter destruído definitivamente o antigo regime absolutista e a supremacia de uma aristocracia decadente e por ter criado as condições necessárias e suficientes para o surgimento do Estado Moderno e a consolidação do regime capitalista de produção.
·        Foi uma revolução conduzida pela burguesia enriquecida, inconformada com os consideráveis privilégios e honrarias sociais concedidos aos nobres e ao clero, e sequiosa de poder para, sobretudo, por fim aos altos impostos e às rígidas regulamentações da política mercantilista vigente que lhe restringiam a liberdade econômica.
·        Grupos de interesses econômicos contrariados encontraram nas idéias dos filósofos iluministas e dos economistas o arsenal intelectual para deflagrar uma revolução que atingiu mortalmente as instituições políticas e jurídicas vigentes.
·        Pela força da nova Ideologia inspiradas nas obras de Locke, Voltaire, Montesquieu, obras desses que se constituíram no fundamento teórico no qual se assenta o Estado Moderno.
·        Os economistas contribuíram com a crítica ao mercantilismo que impunha severas restrições à atividade econômica com sua política de amplo controle estatal sobre o comércio, favorecendo as exportações e restringindo as importações. A crítica à política mercantilista encontrou na obra de Adam Smith, A riqueza das Nações, de 1776, a sua expressão mais contundente e qualificou o autor como o pai do liberalismo econômico.
·        Assim, intelectualmente fundamentados, os revolucionários de 1789 elaboraram a Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão, documento que reuniu as idéias que comandaram a transformação da sociedade francesa e mais tarde de todo mundo ocidental.
·        Não obstante a importância desses acontecimentos cumpre ressaltar que tanto a Revolução Industrial quanto a Revolução Francesa, como também as Ciências Sociais, são filhas do processo de racionalização da cultura ocidental, iniciado dois séculos antes, e cujas expressões mais significativas são a própria ciência e filosofia iluminista.
C.     O Racionalismo
·        O Racionalismo tem sua origem na chamada revolução Copérnica do século XVI que além de Copérnico (1473-1543), e obras também de Kepler (1571-1630) e Galileu (1564—1642), cujas idéias, investigações e estudos sobre o universo se constituíram nas primeiras e mais contundentes contestações à autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana como fonte única do conhecimento oficialmente aceito, até então considerado sagrado, absoluto, incontestável.
·        No século XVII, René Descartes (1596-1650) matemático e físico tornou-se o maior expoente do racionalismo, ao considerar a razão como a única fonte segura de conhecimento.
·        Com Descartes, o processo de secularização da cultura ganha fôlego porque o método por ele elaborado foi o passo decisivo para o desenvolvimento da crítica racional às verdades que sustentavam a ordem estabelecida
·        O Iluminismo ou filosofia das luzes foi o ponto culminante dessa revolução intelectual que abalou os alicerces culturais da sociedade medieval européia.
·        Pode-se afirmar que dá conjugação do método racionalista e do método empirista advém a concepção moderna de ciência, hoje universalmente aceita como caminho para a busca da verdade e, portanto um dos valores das sociedades ocidentais. E dessa conjugação surgiram trabalhos extraordinários no campo das ciências físico-quimico-naturais, nomes como Isaac Newton, Leibnis (Física e Matemática), Boyle Lavoisier (Química), Lineu e Bufon (Biologia), para compreender as origens das convicções dos iluministas de que a razão e a Ciência poderiam permitir o exercício de certo controle humano sobre o mundo e, fundamentalmente, sobre a realidade social, agora compreendida como construção humana e não mais como realização da vontade divina e, portanto, passível de crítica, de contestação e de transformação
·        Preparava-se, assim, o caminho para o processo revolucionário de instauração do mundo moderno e para o desenvolvimento das Ciências Sociais.