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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CONDIÇÕES HISTÓRICAS QUE POSSIBILITARAM O SURGIMENTO DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO

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·        A análise da vida social data do século XVIII deve ser considerada como o produto intelectual mais importante das transformações econômicas, políticas sociais e culturais em curso desde o Renascimento e que se cristalizaram no Ocidente com a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, marcos do surgimento do mundo moderno, isto é, da consolidação da ordem capitalista.
A.     A Revolução Industrial
·        A invenção da máquina a vapor na Inglaterra de 1750 significou o início de uma revolução nas técnicas de produção, o que possibilitou a mecanização do processo de trabalho em muitos ramos da atividade econômica, já na primeira metade do século XIX, tendo significado também uma revolução na organização da produção que, a partir de então, passou a ser realizada no interior de empresas com caráter permanente e racional.
·        Ao propiciar o aumento da produtividade do trabalho, a redução dos custos de produção e, como decorrência, o barateamento das mercadorias, a Revolução Industrial permitia vislumbrar o nascimento de uma sociedade de abundância e mais justa, graças às possibilidades econômicas de uma distribuição mais igualitária da renda.
·        A Revolução Industrial gerou problemas que se alastraram por toda a Europa.
Ø  Em primeiro lugar provocou o êxodo rural de enormes contingentes de trabalhadores com perspectiva de melhoria de condição de vida
Ø  A conseqüência foi o desenvolvimento acelerado da urbanização não planejada, cujo resultado foi, péssimas condições habitacionais dos trabalhadores, na imundície das cidades industrializadas, falta de fornecimento de água, epidemias das mais variadas dizimando milhares de pessoas. Vale à pena citarmos o mais renomado historiador do século XX Eric Hobsbawm:

Só depois de 1848, quando as novas nascidas cós cortiços começaram a matar também os ricos, e as massas desesperadas que aí cresciam tinham assustados os poderosos com a revolução social, foram tomadas providências para um aperfeiçoamento e uma reconstrução urbana sistemática.

Ø  Em segundo lugar, os baixos salários e o desemprego de milhares de trabalhadores, pois (até a década de 1840)
Ø  A criminalidade do e a violência urbana, o alcoolismo, a prostituição, o suicídio constituíram o quadro de deterioração da vida social, aprofundado pela enorme desigualdade social.
Ø  Em terceiro lugar, o rígido controle e disciplina impostos pelos patrões que tornavam infernal a vida dos trabalhadores das fábricas, submetidos a jornadas de trabalho de 16 horas e a todo tipo de castigos e muitas.
            A Revolução Industrial não foi, portanto, apenas uma revolução econômica, foi também, responsável pelo aparecimento de novos problemas humanos e sociais além de ter dado fim ao antigo regime, como novos personagens no cenário social.
            Por essa razão, a Revolução Industrial não pode se lembrada apenas como revolução econômica, mas também como uma revolução da estrutura social que precipitou as transformações políticas, jurídicas e ideológicas consumadas pela a revolução Francesa.
B.     A Revolução Francesa
·        A revolução Francesa de 1789 foi o acontecimento de maior repercussão no Ocidente por ter destruído definitivamente o antigo regime absolutista e a supremacia de uma aristocracia decadente e por ter criado as condições necessárias e suficientes para o surgimento do Estado Moderno e a consolidação do regime capitalista de produção.
·        Foi uma revolução conduzida pela burguesia enriquecida, inconformada com os consideráveis privilégios e honrarias sociais concedidos aos nobres e ao clero, e sequiosa de poder para, sobretudo, por fim aos altos impostos e às rígidas regulamentações da política mercantilista vigente que lhe restringiam a liberdade econômica.
·        Grupos de interesses econômicos contrariados encontraram nas idéias dos filósofos iluministas e dos economistas o arsenal intelectual para deflagrar uma revolução que atingiu mortalmente as instituições políticas e jurídicas vigentes.
·        Pela força da nova Ideologia inspiradas nas obras de Locke, Voltaire, Montesquieu, obras desses que se constituíram no fundamento teórico no qual se assenta o Estado Moderno.
·        Os economistas contribuíram com a crítica ao mercantilismo que impunha severas restrições à atividade econômica com sua política de amplo controle estatal sobre o comércio, favorecendo as exportações e restringindo as importações. A crítica à política mercantilista encontrou na obra de Adam Smith, A riqueza das Nações, de 1776, a sua expressão mais contundente e qualificou o autor como o pai do liberalismo econômico.
·        Assim, intelectualmente fundamentados, os revolucionários de 1789 elaboraram a Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão, documento que reuniu as idéias que comandaram a transformação da sociedade francesa e mais tarde de todo mundo ocidental.
·        Não obstante a importância desses acontecimentos cumpre ressaltar que tanto a Revolução Industrial quanto a Revolução Francesa, como também as Ciências Sociais, são filhas do processo de racionalização da cultura ocidental, iniciado dois séculos antes, e cujas expressões mais significativas são a própria ciência e filosofia iluminista.
C.     O Racionalismo
·        O Racionalismo tem sua origem na chamada revolução Copérnica do século XVI que além de Copérnico (1473-1543), e obras também de Kepler (1571-1630) e Galileu (1564—1642), cujas idéias, investigações e estudos sobre o universo se constituíram nas primeiras e mais contundentes contestações à autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana como fonte única do conhecimento oficialmente aceito, até então considerado sagrado, absoluto, incontestável.
·        No século XVII, René Descartes (1596-1650) matemático e físico tornou-se o maior expoente do racionalismo, ao considerar a razão como a única fonte segura de conhecimento.
·        Com Descartes, o processo de secularização da cultura ganha fôlego porque o método por ele elaborado foi o passo decisivo para o desenvolvimento da crítica racional às verdades que sustentavam a ordem estabelecida
·        O Iluminismo ou filosofia das luzes foi o ponto culminante dessa revolução intelectual que abalou os alicerces culturais da sociedade medieval européia.
·        Pode-se afirmar que dá conjugação do método racionalista e do método empirista advém a concepção moderna de ciência, hoje universalmente aceita como caminho para a busca da verdade e, portanto um dos valores das sociedades ocidentais. E dessa conjugação surgiram trabalhos extraordinários no campo das ciências físico-quimico-naturais, nomes como Isaac Newton, Leibnis (Física e Matemática), Boyle Lavoisier (Química), Lineu e Bufon (Biologia), para compreender as origens das convicções dos iluministas de que a razão e a Ciência poderiam permitir o exercício de certo controle humano sobre o mundo e, fundamentalmente, sobre a realidade social, agora compreendida como construção humana e não mais como realização da vontade divina e, portanto, passível de crítica, de contestação e de transformação
·        Preparava-se, assim, o caminho para o processo revolucionário de instauração do mundo moderno e para o desenvolvimento das Ciências Sociais.

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