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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ESPÍRITO CALVINISTA E O ESPÍRITO BRASILEIRO

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ESPÍRITO CALVINISTA E O ESPÍRITO BRASILEIRO

Por Antônio Carlos Costa

Há algum tempo chegou-me às mãos o livro – A Riqueza e a Pobreza das Nações, escrito por David S. Landes, professor emérito de história e economia política na Universidade de Harvard. Seu propósito ao escrever foi o de tentar responder a difícil e necessária questão: por que algumas nações são ricas e outras são pobres?
Landes, pôde perceber nas suas pesquisas, que há certa uniformidade no comportamento das nações pobres e das nações ricas. Esses destinos diferentes não podem ser atribuídos ao acaso. Existem razões para a riqueza e a pobreza dos povos. Estas explicações têm relação direta com o nível de assimilação por parte dessas mesmas nações de certas leis, que são conducentes ao desenvolvimento de um país. Ao mesmo tempo, leis que se não forem respeitadas, fazem com que países inteiros paguem um tributo social altíssimo.

Sendo assim, convém salientarmos o primeiro ponto: nessa busca por explicações com base na realidade dos fatos, o escritor da renomada universidade, encontrou um comportamento uniforme, conforme já mencionei, tanto nas nações que se tornaram ricas, quanto nas nações que se tornaram pobres. As causas são múltiplas - clima, geografia, papel do estado, educação, abertura intelectual, curiosidade, espírito empreendedor, capacidade de aperfeiçoar as coisas, iniciativa privada, entre outros tantos fatores mais. Entre eles, a religião. É este o ponto que gostaria de enfocar.

Nas suas análises comparativas entre os povos ricos e pobres, Landes encontrou diferenças em termos de prosperidade entre as próprias nações européias. Essas diferenças não fazem parte apenas dos contrastes existentes entre primeiro, segundo e terceiro mundo. Elas existem na Europa. Chamou sua atenção o fato do sul do continente europeu não ter alcançado o mesmo tipo de progresso que foi atingido pelo norte. Como explicar o atraso de Portugal e Espanha (agora minimizado pela inclusão de ambos na União Européia)? Nações que um dia foram as donas dos oceanos. Exploradoras de territórios imensos no mundo todo. Não se curvando a tese de que o clima representa a melhor explicação (já que há diferenças climáticas entre ambas as regiões, o norte mais frio do que o sul) – “Esses estereótipos contêm um grama de verdade e um quilo de pensamento indolente”, Landes acredita que a melhor solução para questão tem relação com a emergência do protestantismo, especialmente o de linha calvinista na Europa setentrional.
O escritor americano começa por mencionar a explicação dada pelo cientista social alemão Max Weber. Ao publicar em 1904-1905 – A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber expressou o seguinte ponto de vista, apresentado resumidamente por Landes: “o protestantismo – mais especificamente, suas ramificações calvinistas – promoveu a ascensão do capitalismo, ao definir e sancionar uma ética de comportamento cotidiano que conduzia ao sucesso nos negócios”. Para Landes, o calvinismo produziu um código secular de comportamento: trabalho perseverante, honestidade, seriedade, uso parcimonioso do dinheiro e do tempo (ambos concedidos por Deus) – “Todos esses valores ajudam os negócios e a acumulação de capital, mas Weber sublinhou que o bom calvinista não visa às riquezas... a tese de Weber é que o protestantismo produziu um novo tipo de homem de negócios, um diferente tipo de pessoa, que tinha por objetivo viver e trabalhar de um certo modo. Esse modo é que era importante e a riqueza seria, quando muito, um subproduto”.
Landes menciona como exemplo, as atitudes protestante e católica em relação aos jogos de azar no começo do período moderno: “Ambas o condenaram, mas os católicos condenaram-nos porque uma pessoa poderia perder (perderia) e nenhuma pessoa responsável comprometeria seu bem-estar e o de outros dessa maneira. Os protestantes, por outro lado, condenaram os jogos porque uma pessoa poderia ganhar, e isso seria ruim para o seu caráter”. Ele traz a memória de todos, o ponto de vista sobre a ética puritana do historiador social inglês R. H. Tawney no seu livro – Religião e Ascensão do Capitalismo: “Esta protegeu os comerciantes e fabricantes contra as pedras e flechas de desprezo das classes altas e seus códigos de bom-tom. Deu-lhes um sentimento de dignidade e virtude, um escudo num mundo de preconceitos anticomerciais. E assim, não cedendo a tentação do ócio aristocrático, os bons calvinistas mantiveram-se fiéis à sua tarefa de geração para geração, acumulando riqueza e experiência pelo caminho”.
Já o sociólogo Robert K. Merton, argumentou a favor da existência de um vínculo direto entre o protestantismo e o nascimento da ciência moderna. Landes lembra que não foi Merton o primeiro a defender essa tese – “No século XIX, Alphonse de Candolle, de uma família huguenote de Genebra, procedeu a um levantamento segundo o qual dos 92 membros estrangeiros eleitos para a Academia de Ciências francesa no período de 1666-1866, 71 eram protestantes, 16 católicos e os cinco restantes judeus ou de filiação religiosa indeterminada – isto numa população de 107 milhões de católicos e 68 milhões de protestantes fora da França. Uma contagem semelhante de membros estrangeiros da Royal Society de Londres em 1829 e 1869 mostrou igual número de católicos e protestantes num conjunto em que os católicos superavam numericamente os protestantes em mais de três para um”.
Para os que julgam as teses de Weber implausíveis ou inaceitáveis, Landes apela para os dados empíricos sacados da história: “... a documentação nos mostra que mercadores e fabricantes protestantes desempenharam um papel destacado no comércio, nos negócios bancários e na manufatura. Nos centros fabris (fabriques) da França e da Alemanha Ocidental, os protestantes eram tipicamente os empregadores, e os católicos os empregados. Na Suíça, os cantões protestantes eram os centros da indústria manufatureira de exportação (relógios, maquinaria, têxteis); os católicos eram primordialmente agrícolas. Na Inglaterra, que em fins do século XVI era preponderantemente protestante, os dissidentes (leia-se calvinistas) eram ativos e influentes, de um modo desproporcional, nas industrias fabris e nas forjas da nascente Revolução Industrial”.
Landes não se contenta apenas com a apresentação das provas empíricas. Ele parte para o nível teórico também: “A questão essencial consiste, com efeito, na criação de um novo tipo de homem – racional, metódico, diligente, produtivo. Essas virtudes, embora nada tivessem de novas, tampouco se podia dizer que fossem moeda corrente. O protestantismo generalizou-as entre os seus adeptos, que julgavam uns aos outros pela conformidade a esses padrões... características especiais dos protestantes refletem e conformam essa ligação... a ênfase sobre a instrução e a cultura, tanto para moças quanto para rapazes. Isso era um subproduto da leitura da Bíblia. Esperava-se que os bons protestantes lessem a Sagrada Escritura para si mesmos. (À guisa de contraste, os católicos foram catequizados mas não tinham que ler, e eram explicitamente desencorajados a ler a Bíblia.) O resultado: maior número de pessoas instruídas e um maior pool de candidatos para a escolaridade de níveis superiores; também maior garantia de continuidade de instrução de geração para geração. Mães instruídas fazem a diferença”.Foi impossível continuar a leitura do livro sem parar para pensar no Brasil. E temos que admitir – parar para pensar sobre o Brasil é parar para pensar sobre a história de um dos maiores desperdícios que a humanidade já viu. Desperdício de terra, beleza natural, circunstâncias históricas favoráveis e patrimônio humano. Sim, o Brasil é um desperdício. Desperdício de terra. Poluímos nossos rios, sujamos nossas praias, devastamos nossas florestas. Desperdício de beleza natural. Parte do que era belo se tornou feio ao ter contato com o povo brasileiro. Nossas cidades não estão à altura da formosura da natureza que nos cerca. São cidades sujas, sem graça, mal planejadas e cercadas de favelas. Desperdício de circunstâncias históricas favoráveis. Não passamos por nenhuma tragédia natural, nossa nação jamais soube o que significa ter que se erguer da devastação de uma guerra, nossos campos jamais se recusaram dar-nos o pão. Encontramos, contudo, pessoas vivendo na miséria no Brasil. A nação onde mais se mata, onde pune-se menos. A primeira em defasagem social. Não há país com tamanho fosso entre ricos e pobres. Desperdício de patrimônio humano. Somos milhões. Resultado de uma história da miscigenação racial das mais lindas da trajetória humana. Alemães, italianos, japoneses, portugueses, árabes, índios, africanos, poloneses, todos morando num mesmo país, falando uma mesma língua, casando uns com os outros e trazendo para nosso país toda sua riqueza genética e cultural. Mas, percebe-se que no contato com a nossa terra as coisas parecem se atrofiar. São milhões de brasileiros que recusam-se a estudar. Uma perda irreparável de neurônios. Domesticados por uma cultura que ensina a mentir, a ser impontual, a deixar para amanhã o que deve ser feito hoje, a trabalhar de modo desleixado, entre tantas mazelas mais que envergonham, ou deveriam envergonhar a todos nós.
Jogamos a culpa na genética (como se fôssemos uma sub-raça), na globalização (como se ela fosse responsável pelo desabamento do metrô de São Paulo e da marquise de um hotel em Copacabana), nos países desenvolvidos (quando vemos a Coréia do Sul e o Chile não precisando se fazer valer dessa espécie de racionalização), na colonização (como se os portugueses tivessem deixado de conduzir os rumos do país no mês passado), em karma (crença infeliz, que nos leva a dizer que nessa vida pagamos pelos erros praticados numa vida da qual não nos lembramos). Em suma, nos recusamos a encarar nossas deformidades. Julgamo-nos o povo gente boa, apesar de sermos os campeões mundiais em assassinato e disparidade social.
Não há como deixar de pensar na igreja. Os evangélicos. Povo ao qual pertenço e que Deus usou para levar-me a Cristo. Por que a igreja evangélica brasileira tem se demonstrado incapaz de salvar o brasileiro do Brasil? Qual a razão de vermos em nossas igrejas pessoas mais brasileiras do que cristãs? Onde estão os resultados históricos que costumam fazer parte da passagem do protestantismo por uma nação?
Quero dizer que tenho esperança. Eu não estou aqui para reclamar da vida. Não suporto a crítica que não vem acompanhada de resposta. Não é da essência da fé cristã fazer apresentação de problemas sem apresentar esperança. Minha esperança consiste no sonho de um dia ver o calvinismo - "o cristianismo que se achou" - entrar no sangue do povo evangélico brasileiro. Nesse dia a igreja haverá de ser salva do Brasil e o Brasil salvo de si mesmo.



Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra, Presidente do Rio de Paz e há dez anos apresenta o programa de televisão Palavra Plena.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FILOSOFIA MODERNA

Características Principais da Filosofia Moderna


Historicamente falando podemos dizer que o termo moderno antecede o período que começa no século XVII, e este termo dava a idéia de oposição ao antigo ou ao anterior, designando o atual, o presente, na verdade estabelecendo uma ruptura com a tradição.

Podemos dizer que a filosofia moderna surge em contraposição a Filosofia Medieval, por exemplo, se a Filosofia Medieval era escolástica, teologica, a moderna era humanista e antropocêntrica, isto é, em vez de pensar Deus, ou do ponto de vista de Deus, pensa-se o homem, ou do ponto de vista do homem.

Duas noções fundamentais estão ligadas ao moderno:

• A idéia de progresso, que faz com que o novo seja considerado o melhor;

• E a valorização do indivíduo, ou da subjetividade como lugar da certeza e da verdade.

Podemos dizer que quatro fatores históricos principais podem ser atribuídos a origem da Filosofia Moderna:

1. O humanismo Renascentista do Século XV;

2. A descoberta do Novo Mundo (1492);

3. A Reforma Protestante do Século XVI;

4. A Revolução Científica do Século XVII.

Além disso, outros fatores históricos contribuíram também para a formação do Pensamento Moderno, como o mercantilismo como surgimento de outro modelo econômico e o surgimento e a consolidação dos Estados Nacionais (Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Países Baixos). Ao Analisarmos esses fatores históricos e as suas peculiaridades poderemos perceber quais as características da Filosofia Moderna.

O renascentismo tem sido visto como o detentor de uma identidade própria e que se desenvolveu uma concepção específica de filosofia que rompe com a tradição medieval.

Talvez o maior traço do renascentismo seja o humanismo. O renascentismo foi buscar o lema do humanismo no filósofo grego sofista Protágoras. “O homem é a medida de todas as coisas”. Esse pensamento faz uma ruptura com o pensamento medieval, que sempre analisava as coisas do ponto de vista do sagrado, de Deus, uma visão extremamente teocêntrica, onde a teologia era o pensamento dominante, mas com o renascentismo este teocentrismo é quase todo deixado de lado valorizando o antropocentrismo.

O Humanismo renascentista retoma a herança Greco-Romana tendo temas Pagãos como centrais, afastando assim a temática religiosa

O humanismo rompe com a visão teocêntrica e com a concepção Filosófica Medieval, valorizando o interesse pelo homem

Durante o renascentismo o homem passa a ter dignidade e não mais a ser visto como o homem caído como no contexto Medieval.

Essa mentalidade humanista levantada pelo renascentismo influenciou a filosofia, fazendo surgir um novo pensamento, a Filosofia Moderna.

A descoberta do Novo Mundo por Colombo contribuiu decisivamente para o descrédito da Ciência Antiga. Revelou a falsidade da Geografia Antiga desde a questão da verdadeira dimensão da terra até o desconhecimento de novos territórios, assim também como a desmistificação daquelas narrativas antigas sobre regiões desconhecidas que em nada correspondem aquilo que foi encontrado.

Outra questão foi o questionamento da suposta superioridade da moral cristã que é levantada por pensadores como Montaigne.

Montaigne levanta a questão do ponto de vista do indígena mostrando que eles ensinam uma lição sobre nós mesmos, são como espelhos, apontando as fragilidades e expondo às inferioridades do homem Europeu

O imaginário Europeu busca assim uma explicação sobre a Natureza desses povos que são essencialmente ambivalentes.

A descoberta do Novo Mundo levantou uma filosofia Crítica a respeito da própria identidade do homem Europeu em contraponto aos povos descobertos nessas terras, podemos dizer que a descoberta da América deu início não somente a História Moderna como também a filosofia Moderna.

A Reforma Protestante foi também grande contribuidora para a elaboração da modernidade, por exemplo, quando defende a idéia de que a fé é suficiente para que o indivíduo compreenda a mensagem divina nas Escrituras não necessitando de intermediação da Igreja, de teólogos, nem de concílios, representa na verdade a defesa do individualismo contra as instituições tradicionais, contra o poder adquirido e todos são colocados sob suspeitas.

Podemos até mesmo colocar, sob um ponto de vista filosófico que a reforma aparece como representante da liberdade individual e da consciência como lugar da incerteza, contestando a autoridade institucional e o saber tradicional, posições que serão fundamentais no desenvolvimento do pensamento moderno, idéias essas que se encontram expressa no seu mais importante representante, Reneé Descates.

Em resumo podemos dizer que a reforma contribuiu para a Filosofia Moderna com a crítica à autoridade institucional; valorização da Interpretação da mensagem da Escritura, pelo individualismo; ênfase na fé como experiência individual, características essas marcantes na Filosofia Moderna.

A Revolução Científica moderna tem seu ponto de partida na Obra de Copérnico, quando ele defende que o Sol e não a Terra é o centro do Universo, esse fator representa um dos fatores mais marcante de ruptura, dando início a modernidade, exatamente porque ia de encontro com uma teoria estabelecida a vinte século, uma maneira na qual o homem Antigo e Medieval via a si mesmo e o seu mundo.

Na verdade o que se percebe é que o sistema heliocêntrico de Copérnico, rompe com o modelo Aristotélico-Ptolomaico, colocando o Sol como o centro do Universo e não a Terra.

Podemos dizer que duas grandes transformações levaram a revolução científica:

• O Heliocentrismo

• A valorização da observação e do método experimental.

A Revolução Científica Moderna rompe de fato com a Ciência Antiga.

Podemos dizer em síntese que a Revolução Científica rejeitou o modelo geocêntrico de cosmo substituindo pelo modelo heliocêntrico, deu à noção de espaço infinito, uma visão de natureza como possuindo uma “linguagem matemática”, ciência ativa x ciência contemplativa Medieval.

A Revolução científica pode ser considerada como uma grande realização do espírito crítico humano, talvez tenha sido o triunfo da racionalidade contra o obscurantismo medieval.

Conclusão

Podemos concluir dizendo que humanismo renascentista coloca o homem como centro de suas preocupações éticas e políticas. A Reforma Protestante valoriza o individualismo e o espírito crítico, assim como as discussões de questões religiosas e a revolução científica a realização do espírito crítico humano com suas formulações de hipóteses em busca de explicação científica. Tudo isso são características do pensamento Moderno em oposição a Filosofia Medieval.

DIRLEY DOS SANTOS

SOLI DEO GLORY

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PERSEVERANÇA DOS SANTOS

A Perseverança dos Santos
por

Bíblia de Estudo de Genebra

Romanos 8:30: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”.

Ao declarar-se a eterna segurança do povo de Deus, talvez seja mais claro falar de sua preservação que – como se costuma fazer – de sua perseverança. Perseverança significa contínuo apego a uma crença apesar do desencorajamento da oposição. A razão por que os crentes perseveram na fé e na obediência, contundo, não está na força de sua própria dedicação, mas em que Jesus Cristo, através do Espírito Santo, os preserva.

João nos diz que Jesus Cristo se comprometeu com o Pai (Jo 6.37-40) e diretamente com seu povo (Jo 10.28-29), no sentido de guardá-lo, de modo que esse povo nunca perecerá. Na sua oração por seus discípulos, depois de terminar a Última Ceia, Jesus pediu que aqueles que o Pai lhe tinha dado (Jo 17.2, 6, 9, 24) fossem preservados para a glória. Cristo continua a interceder por seu povo (Rm 8.34; Hb 7.25), e é inconcebível que sua oração em favor deles fique sem resposta.

Paulo celebra a presente e futura segurança dos santos no amor onipotente de Deus (Rm 8.31-39). Ele se regozija na certeza de que Deus completará a boa obra que começou na vida dos crentes (Fp 1.6; conforme 1Co 1.8-9; 1Ts 5.23-24, 2Ts 3.3; 2Tm 1.12; 4.18).

A Confissão de Westminster diz:

“Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas, com toda certeza, hão de perseverar nesse estado até o fim e estarão eternamente salvos” (XVII.1).

Os regenerados são salvos perseverando na fé e na vida cristã até o fim (Hb 3.6; 6.11; 10.35-39), como Deus os preserva. Esta doutrina não significa que todos aqueles que já professaram ser cristãos serão salvos. Os que tentam viver a vida cristã baseados em sua própria capacidade decairão (Mt 13.20-22). A falsa profissão de fé por parte de muitos que dizem a Deus “Senhor, Senhor” não será reconhecida (Mt 7.21-23). Os que buscam a santidade do coração e o amor ao próximo e, assim, mostram terem sido regenerados por Deus, adquirem o direito de se considerarem crentes seguros em Cristo. A crença na perseverança propriamente entendida não nos leva a uma vida descuidada e à presunção arrogante.

Os regenerados podem mostrar-se relapsos e cair em pecado. Quando isso ocorre, eles se opõe à sua nova natureza e o Espírito Santo os convence do seu pecado (conforme Jo 16.8) e os compele a arrepender-se e a serem restaurados à sua condição de justificados. Quando os crentes regenerados mostram o desejo humilde e grato de agradar a Deus, que os salvou, o reconhecimento de que Deus se comprometeu a guardá-los salvos para sempre aumenta esse desejo.


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Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1331.




sábado, 2 de janeiro de 2010

PAULO FREIRE, UM EDUCADOR EXCEPCIONAL.


PAULO FREIRE


Biografia Resumida de Paulo Freire

Nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos brasileiros. Foi professor de português de 41 a 47, quando se formou em direito na Universidade do Recife, sem, no entanto, seguir carreira.

Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países. Da atualidade é respeitado mundialmente.

Suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em 1962 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias. Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife.

Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram à época, para a superação do analfabetismo.

Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretario Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luisa Erundina, do PT.

Em 1980 recebeu o prêmio Rei Balduíno da Bélgica e, em 1986, o prêmio Educação para a paz da Unesco.

Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento aplicada à educação, sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática, orientada pela teoria, reorienta essa, teoria, num processo de constante aperfeiçoamento

Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade (1967), Pedagogia do Oprimido (1970), Ação cultural para a liberdade (1975), Extensão ou comunicação (1971), A importância do ato de ler (1983), Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo.

Peculiaridades de Paulo Freire

Paulo Freire era uma personalidade de difícil classificação, não é possível determinar que escola de pensamento seguia, era de extrema originalidade, o que demonstra que tinha uma opinião própria, algo louvável em Freire.

Foi o criador do pensamento radical e pensamento sectário, onde diz que o radical é aquele que não se conforma com a ortodoxia de seu tempo, é aquele que está classificado numa linha, mas não aceita por completo o pensamento desta linha, tem um espírito crítico, questionador, está dentro do sistema de pensamento, mas não aceita aquilo como verdade inquestionável.

Pensamento sectário é aquele que está classificado numa linha, entretanto, não dogmatiza tal pensamento colocando como verdade inquestionável e diz que aquele que não seguir aquele pensamento é revolucionário, rebelde.

Dentro deste esquema Freire classifica os sectários como de direita e de esquerda, onde diz que o sequitário de direita é um sequitário de nascimento é um alienado de nascença e o sequitário de esquerda é aquele que aceita o esquema de esquerda e se alienam, dogmatizando tal linha de pensamento, tornando-a como um esquema perfeito e irrefutável e era contra esses que Freire conflitava.

Foi em função deste conflito que ele começa a teoria do medo e da liberdade. Que é quando o oprimido introgeta dentro de si o opressor, quando o opressor diz: “A sua vida é assim, você nasceu assim e vai continuar assim”, ou seja, é um discurso dentro do oprimido, é uma alienação, fruto da ideologia do opressor.

Método Freire

Era um método Revolucionário em que alfabetizava em 40 horas, sem cartilhas ou material didático. Paulo freire acreditava que o homem que acredita em si mesmo é capaz de dominar os instrumentos de ação a sua disposição, incluindo a leitura.

O método Freire é um método onde ele mergulhava no contexto social daquelas pessoas que seriam alfabetizadas, utilizando-se de palavras do seu contexto, onde ele tinha uma conversa descontraída com a turma onde anotava entre 18 a 23 palavras do contexto daquelas pessoas, ele chamava essas palavras, de palavras geradoras e era em cima dessas palavras que ele alfabetizava.

No método Freire a palavra geradora é subtraída do universo de vivência do aluno (alfabetizando). A Alfabetização é uma conscientização, é uma reflexão sobre a realidade em que se vive de onde surgirá a ação.

Essa palavra geradora era pesquisada com o aluno. Ex.

• Para o camponês, as palavras poderiam ser enxada, terra, colheita, etc.

• Para o operário, as palavras poderiam ser tijolo, obra, casa, cimento e etc.

• Para o mecânico, as palavras poderiam ser alicate, parafuso e assim por diante.

Nesse sistema em cerca de 40 horas a pessoa estava totalmente alfabetizada

Para Paulo Freire o diálogo era o elemento chave onde o professor e aluno são sujeitos atuantes. Sendo estabelecido o diálogo se processa a conscientização.

Paulo Freire afirmava que educação é um processo bilateral, tem que haver participação do aluno, é por isso que Paulo Freire não se identificava como professor, pois professor é alguém que processa alguma coisa, ele auto denominava-se como educador educando, ou seja, só se pode ensinar se você também aprender no mesmo instante que se ensina, o ensino é uma troca de conhecimento entre professor e aluno.

Da mesma forma essa dinâmica deve acontecer com o aluno, ele só vai aprender se ensinar alguma coisa.

A filosofia de ensino de Paulo Freire exige humildade, colocando a elite em igualdade com o povo para aprender e ensinar, porque percebe que tanto aluno como professor nunca sabem ao ponto de saber absoluto, como jamais se encontra na absoluta ignorância.

DIRLEY DOS SANTOS

SOLUS CRISTUS