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terça-feira, 14 de agosto de 2012


RESUMO - REFORMA PROTESTANTE E CONTRA-REFORMA

I.              FATORES QUE ORIGINARAM A REFORMA
            A Reforma ocorreu em meio às transformações: Econômicas, Políticas, Sociais, Culturais que assinalaram a passagem da Idade Média para Idade Moderna. A dialética entre esses fatores conduziram a Reforma. Por seu lado, a Reforma iria influenciar reciprocamente todos esses fatores que a originaram.
1.1.        Fator Cultural – Religioso (A Crise da Igreja).
a)    Quebra das Normas Eclesiásticas. Os membros da Alta Hierarquia do Clero viviam luxuosamente, totalmente alheios ao povo
b)   Dispensa dos Votos. O voto de castidade era habitualmente esquecido (O papa Alexandre VI tinha 8 filhos);
c)    Venda de Cargos. Os cargos da Igreja eram vendidos a quem mais pagassem (O papa Leão X recebia uma renda anual equivalente a mais de Um milhão de dólares, fruto da venda de dois mil cargos eclesiásticos).
d)   Venda de Relíquias “Sagradas”. (Objetos supostamente tocados por Cristo, Maria ou Santos). “Erasmo de Rotterdã, diz que as Igrejas da Europa possuíam pedaços de Madeira em quantidade para se construir uma navio”
e)    Indulgências. (Foi abuso que promoveu a maior reação). Trata-se de um documento assinado pelo papa, que absolviam quem os comprasse de alguns pecados cometidos, diminuindo o tempo de sua pena no purgatório.
“Diante da Crise ou a Igreja se Auto-Reformava ou Perderia Fiéis. O Cisma do Oriente e o Cisma do Ocidente; Surgimento das Heresias. Os dois fatos Ocorreram:
 Cisma do Oriente. Durante a Idade Média, o poder da Igreja já havia sido contestado diversas vezes. Em 1054, ocorreu o Cisma do Ocidente, quando os cristãos do Império Bizantino separaram-se da Igreja Católica formando a Igreja Ortodoxa.
Cisma do Ocidente. Entre 1378 e 1417, ocorreu o Cisma do Ocidente, fruto de divisões internas na Igreja que provocaram a eleição de dois papas, um na França e outro em Roma, a solução só seria solucionada após 30 anos
Heresias. Nos séculos XI e XII, surgiram na Europa as Heresias ( Movimentos religiosos que negavam vários princípios do catolicismo) As mais importantes ocorreram na França e ficaram conhecidas por heresias dos Valdenses e heresias dos albigenses, pregavam mudanças nos dogmas da Igreja e distribuições dos bens da Igreja. Foram reprimidos severamente.
            Nos séculos XIV e XV desencadearam mais dois movimentos de contestação, a primeira liderada por John Wyclif, na Inglaterra, e a Segunda comandada por John Huss, na Boêmia, estes são chamados de pré-reformadores.
1.2.        Fator Econômico (Desenvolvimento Comercial)
a)   Interesses da Burguesia Condenados Pela Igreja. A Igreja condenava a Usura e o comércio. Pregava o “preço Justo” na venda das mercadorias, condenando o lucro desmedido. Essas teorias iam de encontro aos interesses da Burguesia, esses se inquietavam de que o comércio contrariava as leis divinas, queriam lucro e se recusam a aceitar as determinações da Igreja. A burguesia em geral buscava uma religião que não interferisse em suas atividades e que, até mesmo, justificasse suas formas de vida.
1.3.        Fator Político (Fortalecimento das Monarquias Nacionais)
            As fronteiras começavam a ser definidas e centralizando-se o poder nas mãos do Rei, o que fazia surgir o sentimento nacionalista que não existia na idade Média. A Igreja possuía terra e propriedades espalhadas por toda a Europa, passou a ser considerada uma potência estrangeira. Lentamente começou-se a se formar uma reação contra as possessões e a arrecadação de impostos pelo clero. Em vários países da Europa crescia o desejo de confiscar os bens da Igreja.
II.            REFORMA NA ALEMANHA
2.1.        Alemanha não centralizada
            Diferentemente de outros países da Europa, a Alemanha não era um Estado centralizado. O chamado Sacro Império Germânico era composto por cerca de 300 Estados. O Imperador só exercia poder de fato nas suas possessões diretas, essa situação possibilitava realizar grandes abusos.
2.2.        Situação Econômica
            A situação do Império também não era boa do ponto de vista econômico. Só havendo comércio no litoral e região sudeste.
            A maior parte da Alemanha era agrária e feudalizada, e a Igreja detinha a propriedade de um terço das terras
2.3.        Descontentamento Geral
            A burguesia contestava contra a arrecadação de tributos.
            A Plebe urbana e os servos ansiavam por se libertar das inúmeras contribuições que pagavam a o clero.
2.4.        Influências no Pensamento doutrinário de Martinho Lutero
            Martinho Lutero foi grandemente influenciado pelo pensamento de Agostinho de Hipona – Predestinação; Salvação somente pela Fé, que era um sinal da predestinação.
            Partindo de Santo Agostinho Lutero constrói a sua própria doutrina rejeitando os dogmas da Igreja Católica.
            A doutrina de Lutero passa a ser interessante a Nobreza Feudal, pois não admitindo a autoridade da Igreja, os bens que a igreja possuía poderiam ser expropriado.
As conseqüências da Reforma Luterana
            Publicação das 95 teses na catedral Witemberg.
            Pequenos Nobres e Camponeses começaram a se revoltarem baseados nos princípios de Lutero



REFORMA NA SUÍÇA
Zwuinglio: iniciador da Reforma
            Embora a situação da suíça fosse diferente da Alemanha foi também propícia para um reforma. O iniciador da reforma foi Ulrico Zwuinglio, que foi leitor das Obras de Lutero e Erasmo de Roterdã.
            As lutas entre protestantes e católicos provocou uma guerra civil e Zwuinglio morreu nesta guerra.
Calvino o teórico que satisfez os interesses da burguesia
Suas teorias diferenciavam das teorias de Lutero.
            Para ele Deus organizou todas as coisas por determinação de sua vontade e atribuiu a cada um uma vocação particular, cujo objetivo era a sua glorificação. Assim o capital, o crédito, os bancos, o comércio seriam desejados por Deus e tão desejáveis como o salário de um trabalhador ou aluguel de uma propriedade. O pagamento de juros seria tão natural quanto o pagamento de uma renda pela utilização de terras.
            Por corresponder aos interesses da burguesia o calvinismo se expandiu para vários países da Europa
REFORMA NA INGLATERRA
            A Inglaterra era um dos países mais desenvolvidos da Europa, entretanto a Igreja Católica, com sua riqueza, poder e influência constituíam um “Estado dentro do Estado”
            O Rompimento da Igreja Inglesa com Roma acontece com o reinado de Henrique VIII, com a questão da sucessão do trono.
CONTRA REFORMA OU REFORMA CATÓLICA
            A contra reforma foi um movimento de reação ao protestantismo e de renovação da Igreja, ameaçada em sua existência pela reforma, pela perda de fiéis e de boa parte de seus bens. Deixou também de receber uma parte considerável de seus tributos. Assim necessitava auto reformar-se ou não sobreviveria, pois precisava, ainda, evitar que outras regiões católicas se tornassem protestante.
            A partir de 1534 os chamados papas reformistas (Paulo III, Paulo IV, Pio V, Xisto IV) começaram a reagir contra os movimentos Protestantes.
Instrumentos da Contra Reforma ou reforma Católica
  1. Concílio de Trento
·        Em 1545 e 1563 foi convocado o concílio de Trento em que se reafirmavam os dogmas, depurou-se a doutrina, proibiu-se a venda de indulgência, decidiu-se funda seminários para educar os padres católicos e exigiu-se grande disciplina do clero.
·        Como instrumento de repressão, o concílio restabeleceu o tribunal da Santa inquisição, criou-se o ÍNDEX, lista de livros cuja leitura era proibida
  1. Companhia de Jesus
·        Em 1534, Inácio de Loyola fundou a companhia de Jesus, organizada sob disciplina militar que veio a se tornar o instrumento mais importante da Contra Reforma.
·        A Obra dos Jesuítas foi particularmente importante no campo da educação, monopolizando o ensino das elites européias, e na catequese dos indígenas das Colônias.
  1. “Santa” Inquisição
·        Utilizou-se de métodos de torturas violentíssimos, interrogavam, julgavam e condenavam os suspeitos de heresias. A santa inquisição foi organizada nos países europeus que se mantinham católicos.


sexta-feira, 11 de maio de 2012



O Feudalismo
Formação
A formação do feudalismo desenvolveu-se num longo período, que engloba a crise do Império Romano a partir do século III, a formação dos Reinos Bárbaros e a desagregação do Império Carolíngeo no século IX.
Introdução
A formação do feudalismo, na Europa Ocidental, envolveu uma série de elementos estruturais, de origem romana e germânica, associados aos fatores conjunturais, num longo período, que engloba a crise do Império Romano a partir do século III, a formação dos Reinos Bárbaros e a desagregação do Império Carolíngeo no século IX.
 A Crise Romana
A partir do século III a crise do Império romano tornou-se intensa e manifestou-se principalmente nas cidades, através das lutas sociais, da retração do comércio e das invasões bárbaras. Esses elementos estimularam um processo de ruralização, envolvendo tanto as elites como a massa plebéia, determinando o desenvolvimento de uma nova estrutura sócio econômica, baseada nas Vilae e no colonato.
As transformações da estrutura produtiva desenvolveram-se principalmente nos séculos IV e V e ocorreram também mesmo nas regiões onde se fixaram os povos bárbaros, que, de uma forma geral, tenderam a se organizar seguindo a nova tendência do Império, com uma economia rural, aprofundando o processo de fragmentação.
Em meio a crise, as Vilae tenderam a se transformar no núcleo básico da economia. A grande propriedade rural passou a diversificar a produção de gêneros agrícolas, além da criação de animais e da produção artesanal, deixando de produzir para o mercado, atendendo suas próprias necessidades.
Foi dentro deste contexto que desenvolveu-se o colonato, novo sistema de trabalho, que atendia aos interesses dos grandes proprietários rurais ao substituir o trabalho escravo, aos interesses do Estado, que preservava uma fonte de arrecadação tributária e mesmo aos interesses da plebe, que migrando para as áreas rurais, encontrava trabalho.
 O Colono
O colono é o trabalhador rural, colocado agora em uma nova situação. Nas regiões próximas à Roma a origem do colono é o antigo plebeu ou ainda o ex-escravo, enquanto nas áreas mais afastadas é normalmente o homem de origem bárbara, que, ao abandonar o nomadismo e a guerra é fixado à terra
O colono é um homem livre por não ser escravo, porém está preso à terra.
A grande propriedade passou a dividir-se em duas grandes partes, ambas trabalhadas pelo colono; uma utilizada exclusivamente pelo proprietário, a outra dividida entre os colonos. Cada colono tinha a posse de seu lote de terra, não podendo abandona-lo e nem ser expulso dele, devendo trabalhar na terra do senhor e entregar parte da produção de seu lote.
Dessa maneira percebe-se que a estrutura fundiária desenvolve-se de uma maneira que pode ser considerada como embrionária da economia feudal
É importante notar que durante todo o período de gestação do feudalismo ainda serão encontrados escravos na Europa, porém em pequena quantidade e com importância cada vez mais reduzida.

Os povos “bárbaros”, ao ocuparem parte das terras do Império Romano, contribuíram com o processo de ruralização e com a fragmentação do poder, no entanto assimilaram aspectos da organização sócio econômica romana, fazendo com que os membros da tribo se tornassem pequenos proprietários ou rendeiros e, com o passar do tempo, cada vez mais dependentes dos grandes proprietários rurais, antigos líderes tribais.
O colapso do “Mundo Romano” possibilitou o desenvolvimento de diversos reinos de origem bárbara na Europa, destacando-se o Reino dos Francos, formado no final do século V, a partir da união de diversas tribos francas sob a autoridade de Clóvis, iniciador da Dinastia Merovíngea.
A aliança das tribos, assim como a aliança de Clóvis com a Igreja Católica impulsionou o processo de conquistas territoriais, que estendeu-se até o século IX e foi responsável pela consolidação do “beneficium”, que transformaria a elite militar em elite agrária.
    O “Beneficium” era uma instituição bárbara, a partir da qual o chefe tribal concedia certos benefícios a seus subordinados, em troca de serviços e principalmente de fidelidade. Em um período de crise generalizada, marcada pela retração do comércio, da economia monetária e pela ruralização, a terra tornou-se o bem mais valioso e passou a ser doada pelos reis a seus principais comandantes.

O Império Carolíngeo
Durante o reinado de Carlos Magno (768 - 814), a autoridade real havia se fortalecido, freando momentaneamente as tendências descentralizadoras. Como explicar então a formação do feudalismo, se o poder real é fortalecido? Primeiro a centralização deve ser vista dentro do quadro de conquistas da época, comandadas pelo rei, reforçando sua autoridade, mas ao mesmo tempo, preservando o beneficium. Com o Estado centralizado, a cobrança das obrigações baseadas na fidelidade ainda são eficientes e esse função é destinada aos “Missi Dominici” ( enviados do rei). Segundo, a Igreja Católica já era uma importante instituição, que, ao apoiar as conquistas do rei, referenda sua autoridade e poder, ao mesmo tempo que interfere nas relações sociais, como demostra o “Juramento de Fidelidade” instituição de origem bárbara que passou a ser realizada sob “os olhos de Deus” legitimando-a como representativa de sua vontade.
    No entanto é importante perceber as contradições existentes nesse processo: a Igreja construiu sua própria autoridade e como grande proprietária rural tendeu, em vários momentos, a desvincular-se do poder central.
As Relações de Suserania e Vassalagem
As relações de subordinação desenvolveram-se desde o século V, no entanto foi durante o reinado de Carlos Magno que tomaram sua forma mais desenvolvida. O incentivo aos laços de vassalagem num primeiro momento fortalecia o poder real, pois direta ou indiretamente estendia-se a toda a sociedade, no entanto, com o passar do tempo o resultado tornou-se oposto na medida em que as relações pessoais foram reforçadas, diminuindo portanto a importância do Estado.
Economia Feudal
A economia feudal possuía base agrária, ou seja, a agricultura era a atividade responsável por gerar a riqueza social naquele momento. Ao mesmo tempo, outras atividades se desenvolviam, em menor escala, no sentido de complementar a primeira e suprir necessidades básicas e imediatas de parcela da sociedade. A pecuária, a mineração, a produção artesanal e mesmo o comércio eram atividades que existiam, de forma secundária.
Como a agricultura era a atividade mais importante, a terra era o meio de produção fundamental. Ter terra significava a possibilidade de possuir riquezas ( como na maioria das sociedades antigas e medievais), por isso preservou-se a caráter estamental da sociedade. Os proprietários rurais eram denominados Senhores Feudais, enquanto que os trabalhadores camponeses eram denominados servos.
    O feudo era a unidade produtiva básica. Imaginar o feudo é algo complexo, pois ele podia apresentar muitas variações, desde vastas regiões onde encontramos vilas e cidades em seu interior, como grandes “fazendas” ou mesmo pequenas porções de terra. Para tentarmos perceber o desenvolvimento socioeconômico do período, o melhor é imaginarmos o feudo como uma grande propriedade rural. O território do feudo era dividido normalmente em três partes: O Domínio, terra comum e manso servil
O Domínio é a parte da terra reservada exclusivamente ao senhor feudal e trabalhada pelo servo. A produção deste território destina-se apenas ao senhor feudal. Normalmente o servo trabalha para o senhor feudal, nessa porção de terra ou mesmo no castelo, por um período de 3 dias, sendo essa obrigação denominada corvéia.
    Terra comum e a parte da terra de uso comum. Matas e pastos que podem ser utilizadas tanto pelo senhor feudal como pelos servos. É o local de onde se retiram lenha ou madeira para as construções, e onde pastam os animais.
    Manso servil era a parte destinada aos servos. O manso é dividido em lotes (glebas) e cada servo tem direito a um lote. Em vários feudos o lote que cabe a um servo não é contínuo, ou seja, a terra de vários servos são subdivididas e umas intercaladas nas outras. De toda a produção do servo em seu lote, metade da produção destina-se ao senhor feudal, caracterizando uma obrigação denominada talha.
    Esse sistema se caracteriza pela exploração do trabalho servil, responsável por toda a produção. O servo não é considerado um escravo, porém não é um trabalhados livre. O que determina a condição servil é seu vínculo com a terra, ou seja, o servo esta preso a terra. Ao receber um lote de terra para viver e trabalhar, e ao receber (teoricamente) proteção, o servo esta forçado a trabalhar sempre para o mesmo senhor feudal, não podendo abandonar a terra. Essa relação definiu-se lentamente desde a crise do Império Romano com a formação do colonato.
    Além da corvéia e da talha, obrigações mais importantes devidas pelo servo ao senhor, existiam outras obrigações que eram responsáveis por retirar dos servo praticamente tudo o que produzia.
Tradicionalmente a economia foi considerada natural, de subsistência e desmonetarizada. Natural por que baseava-se em trocas diretas, produtos por produto e diretamente entre os produtores, não havendo portanto um grupo de intermediários (comerciantes); de subsistência por que produzia em quantidade e variedade pequena, além de não contar com a mentalidade de lucro, que exigiria a produção de excedentes; desmonetarizada por não se utilizar de qualquer tipo de moeda, sendo que havia a troca de produto por produto.
    Apesar de podermos enxergar essa situação básica, cabem algumas considerações: o comércio sempre existiu, apesar de irregular e de intensidade muito variável. Algumas mercadorias eram necessárias em todos os feudos mas encontradas apenas em algumas regiões, como o sal ou mesmo o ferro. Além desse comércio de produtos considerados fundamentais, havia o comércio com o oriente, de especiarias ou mesmo de tecidos, consumidos por uma parcela da nobreza (senhores feudais) e pelo alto clero. Apesar de bastante restrito, esse comércio já era realizado pelos venezianos.
    Mesmo o servo participava de um pequeno comércio, ao levar produtos excedentes agrícolas para a feira da cidade, onde obtinha artesanato urbano, promovendo uma tímida integração entre campo e cidade. “ A pequena produtividade fazia com que qualquer acidente natural (chuvas em excesso ou em falta, pragas) ou humano ( guerras, trabalho inadequado ou insuficiente) provocasse períodos de escassez” (1) Nesse sentido havia uma tendência a auto-suficiência, uma preocupação por parte dos senhores feudal em possuir uma estrutura que pudesse prove-lo nessas situações
A sociedade

A sociedade feudal era composta por duas classes sociais básicas: senhores e servos. A estrutura social praticamente não permitia mobilidade, sendo, portanto que a condição de um indivíduo era determinada pelo nascimento, ou seja, quem nasce servo será sempre servo. Utilizando os conceitos predominantes hoje, podemos dizer que, o trabalho, o esforço, a competência e etc. eram características que não podiam alterar a condição social de um homem.
O senhor era o proprietário dos meios de produção, enquanto os servos representavam a grande massa de camponeses que produziam a riqueza social. Porém podiam existir outras situações: a mais importante era o clérigo. Afinal o clero é uma classe social ou não?
O clero possuía grande importância no mundo feudal, cumprindo um papel específico em termos de religião, de formação social, moral e ideológica. No entanto esse papel do clero é definido pela hierarquia da Igreja, quer dizer, pelo Alto Clero, que por sua vez é formado por membros da nobreza feudal. Originariamente o clero não é uma classe social, pois seus membros ou são de origem senhorial (alto clero) ou servil (baixo clero).
A maioria dos livros de história retrata a divisão desta sociedade segundo as palavras do Bispo Adalberon de Laon: “na sociedade alguns rezam, outros guerreiam e outros trabalham, onde todos formam um conjunto inseparável e o trabalho de uns permite o trabalho dos outros dois e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros” Para o bispo, o conjunto de servos é “uma raça de infelizes que nada podem obter sem sofrimento”. Percebe-se o discurso da Igreja como uma tentativa de interpretar a situação social e ao mesmo tempo justificá-la, preservando-a. Nesta sociedade, cada camada tem sua função e, portanto deve obedecê-la como vontade divina.
Na camada superior, “os guerreiros” pode-se perceber uma diferença entre nobres e cavaleiros. Os primeiros descendem das principais famílias do período carolíngeo, enquanto que os demais se tornaram proprietários rurais a partir da concessão de extensões de terras oferecidas pelos nobres. Essa relação era bastante comum, fortalecia os laços entre os membros da elite, mesmo por que os cavaleiros se tornavam vassalos e ao mesmo tempo procuravam imitar o comportamento da nobreza tradicional, adotando sua moral e seus valores. Com o passar do tempo a diferenciação entre nobres e cavaleiros foi desaparecendo; preservou-se no entanto a relação de suserania e vassalagem.
A relação de suserania e vassalagem é bastante complexa. Sua origem remonta ao Reino Franco, principalmente durante o reinado de Carlos Magno e baseia-se na concessão do feudo (beneficium).
Surgem os dois primeiros problemas: Quem esta envolvida nesta relação? e, o que é feudo?
    Esta relação é eventual, pode existir ou não, dependendo da vontade ou da necessidade das partes, que são sempre dois senhores feudal; ou seja, é uma relação social que envolve membros da mesma camada social, a elite medieval. O termo feudo originariamente significava “benefício”, algo concedido a outro, e que normalmente era terra, daí sua utilização como sinônima da “propriedade senhorial”. Suserano é o senhor que concede o benefício, enquanto que vassalo é o senhor que recebe o benefício. Esta relação, na verdade bastante complexa, tornou-se fundamental durante a Idade Média e serviu para preservar os privilégios da elite e materializava-se a partir de três atos: a homenagem , a investidura e o juramento de fidelidade. Normalmente o suserano era um grande proprietário rural e que pretende aumentar seu exército e capacidade guerreira, enquanto o vassalo, é um homem que necessita            de       terras e          camponeses.
O poder
No mundo feudal não existiu uma estrutura de poder centralizada. Não existe a noção de Estado ou mesmo de nação. Portanto consideramos o poder como localizado, ou seja, existente em cada feudo. Apesar da autonomia na administração da justiça em cada feudo, existiam dois elementos limitadores do poder senhorial. O primeiro é a própria ordem vassálica, onde o vassalo deve fidelidade a seu suserano; o segundo é a influência da Igreja Católica, única instituição centralizada, que ditava as normas de comportamento social na época, fazendo com que as leis obedecessem aos costumes e à “ vontade de Deus”. Dessa forma a vida quase não possuía variação de um feudo para outro.
É importante visualizar a figura do rei durante o feudalismo, como suserano-mor, no entanto sem poder efetivo devido a própria relação de suserania e a tendência á auto-suficiência econômica.

quinta-feira, 8 de março de 2012

REFLETINDO SOBRE A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


Refletindo Sobre a Teologia da prosperidade 

O problema é que não consigo aceitar os pastores de várias igrejas que na maior parte dos seus cultos se preocupam em ficar pedindo dinheiro de várias formas. Se fosse apenas o dízimo... Mas não é apenas isso. Ficam tentando vender produtos e águas, fazem rituais que promete nos fazer vencer e virar grandes empresários, só falam em carros e casas e viagens”. Recebemos mensagens desse tipo com muita freqüência. Em evidente contraste, o Mestre Jesus declarou a Seus discípulos: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20). O apóstolo Pedro disse ao homem coxo de nascença: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3.6). Sem dúvida isso era válido para todos os apóstolos, conhecidamente pobres em bens materiais. Mas dos falsos mestres a Bíblia nos diz o contrário: “...homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1 Tm 6.5). DIETER Chama a atenção que se espera que os anciãos e diáconos sejam “não avarentos”, “não cobiçosos de sórdida ganância” (1 Tm 3.3,8). O mesmo se esperava do bispo da ilha de Creta: que ele não fosse STEIGER “cobiçoso de torpe ganância” (Tt 1.7). O apóstolo Pedro escreveu aos anciãos: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não... por sórdida ganância” (1 Pe 5.2). Estamos bem conscientes de que o amor ao dinheiro, o desejo de lucro e o anseio por bens materiais que se alastra dentro do cristianismo de hoje pode se apossar de nós também. Ter dinheiro não é pecado, mas ai de nós quando o dinheiro nos comanda, quando ele domina nosso pensar e nosso agir. O apóstolo alerta: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição” (1 Tm 6.9). A Bíblia nos fornece três exemplos assustadores de pessoas que foram tomadas pela ganância: Acã, que na tomada de Jericó escondeu em sua tenda despojos que, segundo ordens bem claras de Deus através de Josué, deveriam ser destruídos. Esse pecado único causou uma terrível derrota ao povo de Israel diante de Ai, pois o Senhor não podia mais estar com eles. Acã confessou: “Verdadeiramente, pequei contra o Senhor, Deus de Israel, e... vi entre os despojos uma capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os...” (Js 7.20-21). Ele foi apedrejado. Balaão, o profeta gentio a quem o rei moabita Balaque fez uma proposta tentadora e vantajosa se amaldiçoasse Israel. O Novo Testamento usa-o como exemplo negativo, falando de homens que “abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2 Pe 2.15). Os corações cheios de cobiça daqueles que prestam serviços religiosos visando o lucro pessoal são “movidos de ganância” e “se precipitaram no erro de Balaão” (Jd 11). Balaão era um profeta mercenário e símbolo do dolo e da cobiça, segundo a Bíblia Anotada Expandida. Mais tarde ele foi morto pelos soldados de Josué. Geazi, servo do profeta Eliseu. Ele correu atrás de Naamã, que havia sido curado da lepra, e mentiu, pedindo “um talento de prata e duas vestes festivais” (2 Rs 5.23). Pelo visto, ele não queria deixar passar essa grande chance de, como servo do grande profeta, finalmente conseguir algum lucro. O profeta o repreendeu, dizendo: “...Era ocasião para tomares prata e para tomares vestes, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas?” (2 Rs 5.26). Geazi foi castigado com a lepra de Naamã pelo resto de sua vida. A Palavra diz que não tem herança no reino de Cristo e de Deus “nenhum... avarento, que é idólatra” (Ef 5.5). “Uma pessoa avarenta é idólatra, pois coloca as coisas antes de Deus” (ABA). O Senhor Jesus diz na parábola do semeador: “O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação da riqueza ofuscam a palavra, e fica infrutífera” (Mt 13.22). É hora de vigiar e orar para que o amor ao dinheiro e por tudo aquilo que o dinheiro pode comprar não encontre lugar em nossos corações. Como antídoto, peçamos com mais fervor que o Senhor abra nossos olhos espirituais para os valores eternos, orando sempre: “Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça (Sl 119.36).

sábado, 25 de fevereiro de 2012


A Igreja evangélica, hoje, é sinônimo de concentrações de pessoas e múltiplas manifestações físicas, gente que marcha como soldado de um lado para o outro, gente que fica rodopiando e gesticulando sem nexo, ruídos estranhos, experiências de “sair” do corpo e voar por cima das outras pessoas, visões de anjos e pétalas de rosas caindo do céu, visões de entidades monstruosas, viagens ao céu, viagens ao inferno, enfim, fanatismo e êxtase.
O que importa dizer é que essa religiosidade mística é predominante no Brasil.
Em geral, a religiosidade evangélica de hoje está abraçada a uma espécie de neopaganismo. O conceito do panteísmo ganhou nova roupagem. Deus agora “é fácil”. A Bíblia não é mais a única regra de fé e prática como diziam os antigos cristãos. Quanto maior a ignorância bíblica, mais forte o misticismo.
Nós somos criaturas racionais, criados para agir inteligentemente. Temos intelecto; vontade, emoções e mente. John Owen, um homem erudito e piedoso, bem disse que o homem foi criado para conhecer o bem por intermédio de sua mente, sem descartar a emoção. (esta, em seu devido lugar, deseja e apega-se ao bem conhecido). A emoção nos impulsiona, mas não antes da verdade adquirida através da Palavra de Deus. Disse Owen: “As emoções talvez sejam o leme do navio, mas a mente é que deve pilotar; e a carta marítima a ser seguida é a verdade revelada por Deus” [na Sua Palavra escrita]. E como bem resumiu, ainda disse: “O intelecto é o olho da alma”. Daí podermos dizer que o misticismo é cego!
“O conhecimento é indispensável à vida e ao serviço cristãos. Se não usamos a mente que Deus nos deu, condenamo-nos à superficialidade espiritual, impedindo-nos de alcançar muitas riquezas da graça de Deus. Ao mesmo tempo, o conhecimento nos é dado para ser usado, para nos levar a cultuar melhor a Deus, nos conduzir a uma fé maior, a uma santidade mais profunda, a um melhor serviço. Não é de menos conhecimento que precisamos, mas sim de mais conhecimento, desde que o apliquemos em nossa vida”. (John Stott).
MOVIMENTO CANSEI DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
 Se você está cansado dessa teologia que tem corroído muitas mentes e infartado muitos corações com o seu engano e suas falaciosas promessas.
Desta teologia que tem sede de bens e riquezas materiais.
Desta teologia que busca somente saúde e prosperidade.
Desta teologia que diz que não teremos sofrimentos na vida.
Desta teologia que diz que ter enfermidade é estar em pecado.
Desta teologia que diz que todo cristão tem que ser rico.
Desta teologia que diz que se alguém não é curado, a culpa é da falta de fé.
Desta teologia que diz que as coisas ruins são sempre maldição.
Desta teologia que diz que Deus os pôs por “cabeça e não cauda”, tentando justificar proeminência para si.
Desta teologia que diz que pelo fato de sermos “filhos do Rei”, estamos salvos das intempéries da vida.
Desta teologia que deturpa textos bíblicos para justificar seus engodos como fizeram com “tudo posso naquele que me fortalece”, que foi retirado do seu contexto original para inferir que “posso alcançar tudo o que eu desejo”
Faça parte desse movimento de restauração do verdadeiro Evangelho. Um grande abraço!!!!