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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

RAZÃO E FÉ – IDADE MÉDIA

RAZÃO E FÉ – IDADE MÉDIA
           Platão foi à grande referência no período medieval. O cristianismo vai ser grandemente influenciado pelo platonismo e vai ser Agostinho de Hipona o grande propagador do platonismo, Aristóteles só voltará a ter importância a partir do século XIII, com São Tomás de Aquino.
            È importante entender que para o cristianismo ter sido propagado nos três primeiros séculos, foi necessário cooptar a língua e a filosofia grega, pois o mundo daquela época o que imperava era a cultura grega, pois embora o Império Romano houvesse conquistado o mundo e também os gregos, os gregos conquistaram o Império Romano culturalmente e cooptar a língua e a filosofia grega era de extrema importância para a propagação do cristianismo.
Como aconteceu este processo?
            Depois da diáspora (ano 70 dC), várias colônias judaicas se formaram por vários lugares do império Romano – Filon, o Judeu foi a primeiro a travar esse diálogo entre religião judaica e a cultura grega – helênica e o cristianismo seguiu o seu exemplo.
            A partir das comunidades judaicas começou esse processo, atingindo primeiro o povo mais simples, até alcançar os estratos superiores desta sociedade, como imperadores, por exemplo, isto no século IV – então o império se torna a religião oficial do império.
            O cristianismo de alguma forma correspondeu à necessidade daquela sociedade, algo da moral cristã se coadunou a moral romana helenizada, uma moral paternalista.
            O cristianismo ao utilizar de várias coisas dessa sociedade vai facilitar em muito a sua propagação, primeiro a língua e depois a filosofia – por exemplo, como explicar Jesus Deus e Homem, Trindade, Transubstanciação, Logos e outros termos difíceis? Foi necessário usar a filosofia grega para tornar a mensagem do cristianismo entendível àquela cultura. Foi necessário o cristianismo dialogar com o mundo helênico-romano absorvendo elementos desse mundo para que a mensagem do cristianismo fosse entendida e aceita. Portanto o cristianismo paulatinamente foi absorvendo e sendo absorvido pelo mundo helênico-romano.
            Os pais da Igreja foram os responsáveis por fazer esse “diálogo” com a filosofia grega, estes que foram formados nas academias dos filósofos e se converteram ao cristianismo, foram estes que compuseram os credos da igreja, eram do lado oriental. 
            Foi, porém, com Santo Agostinho que o cristianismo foi trazido para o ocidente, este é um marco no cristianismo. Agostinho é o homem de uma transição de época, o mundo medieval vai ser pautado no pensamento filosófico-teológico de Agostinho e o Platonismo será a filosofia predominante em Agostinho e no período medieval.
            Na filosofia medieval Razão e Fé vão colaborar reciprocamente, elas não vão se opor. Os filósofos medievais chegaram à conclusão que a razão pode chegar por outro caminho àquilo que a fé sabe. O objeto da fé é algo que jamais se saberia se não tivesse sido revelado por Deus, por exemplo, eu jamais poderia alcançar com minha razão, com a lógica humana. Ex. Deus se fez homem, como eu saberia isto se não fosse revelado? e outras coisa como imortalidade, trindade, hipostase etc. Então os cristãos medievais pensaram o seguinte: Deus revelou o objeto de fé, mas a razão humana pode alcançar por outro caminho sobre a verdade da fé, isto é , razão e fé não se opõem, colaboram entre si, entretanto a fé prepara a razão , guia, direciona e a razão colabora no entendimento da fé, essa idéia que vai valer durante toda a Idade Média – fé e razão não se opõem.
            Se Deus revelou a verdade, a razão só pode concluir juntamente com a fé, se a razão humana está correta ela só pode constatar conjuntamente com a Bíblia, já que a Bíblia é a revelação de Deus e contêm a verdade. A razão só tem um caminho, constatar a verdade, se Deus revela a verdade, a razão entende e deve se submeter a Ela.
            Há um esforço destes cristãos (medievais) de fazer se pensar que os filósofos gregos fizeram uma preparação para o cristianismo, sendo que o cristianismo seria a verdadeira filosofia. A filosofia grega teria pavimentado a chegada do cristianismo, entretanto o cristianismo seria a verdadeira filosofia, isto porque os filósofos gregos faltavam à fé, só em Jesus se tem a plenitude da revelação. A filosofia grega foi o chão onde o cristianismo se assentou, foi uma preparação. Cristianismo e filosofia grega fizeram uma amálgama, a filosofia foi um suporte, uma servidora do cristianismo. Durante toda a Idade Média isso vai valer.
            Os filósofos cristãos cristianizaram a filosofia grega, com isso a filosofia perde seu caráter crítico. A filosofia cristã vai selecionar aquilo que não se opõe as questões da fé, vão cristianizar Platão, Sócrates, Aristóteles etc.
            A partir da patrística fé e razão passam a contribuir e esse pensamento vai prevalecer no período medieval: Não basta apenas eu crer que Deus existe a razão tem que provar essa realidade.
            Para os medievais não bastava apenas crer, era necessário que a razão comprovasse, um argumento que vai tentar provar racionalmente a questão da existência de Deus vai ser o argumento Ontológico de Stº Anselmo (a Escolástica tem início com Santo Anselmo), que é uma prova racional de que Deus existe que consiste no conceito de Deus como um Ser Perfeito deriva-se a sua existência e que, portanto, alguém que entenda esse conceito não pode coerentemente duvidar da existência de Deus. Essa prova segue a linha do objetivo de Santo Anselmo de conciliar razão e fé. Aquilo que a fé nos ensina pode ser entendido pela razão e a filosofia ajuda a argumentar em favor disso e caracteriza bem o estilo da escolástica ao utilizar a filosofia – sua forma de argumentar, seus conceitos básicos – em defesa de questões religiosas e teológicas.
            A Escolástica vai entrar em crise com Guilherme de Ockhan, que vai ter uma posição nominalista. Guilherme de Ockhan vai dizer que não existe lógica entre fé e razão, a fé não tem nada a dizer a razão e nem a razão tem nada a dizer a fé, Isto porque em Deus não existe lógica, porque Deus antes de tudo é vontade absoluta. O Pensamento de Guilherme de Ockhan vai ser a fase embrionária, podemos dizer assim, do pensamento Moderno, que vai se opor diametralmente ao pensamento filosófico medieval.









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